segunda-feira, 27 julho, 2026

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Crônica: Como o caipira picando fumo

Por: Sérgio Sant’Anna

A crítica literária Mariana Ianelli escreveu uma crônica para o jornal Rascunho cujo título é “Pitando”, exatamente. Talvez alguns desconheçam o vocábulo, principalmente os mais novos, porém muito difundida, principalmente para os paulistas e paulistanos. Lembrei-me daquela imagem do caipira picando fumo, tão logo surge-me o “Jeca Tatu”, figura emblemática nascida no Vale do Paraíba, mais precisamente em Taubaté. Isso mesmo, “pitando” do verbo “pitar”. Aquele cigarro aceso, queimando sem ao menos ser tragado, e ao longe elevar seu olhar, pensando, refletindo, vagueando…um olhar descompromissado e o cigarro “paieiro” sendo construído como forma de acalmar a ansiedade.

Estou assim, nesses primeiros dias de férias, aproveitando o silêncio, usufruindo do escuro “blackaut”. O canto dos pássaros me tranquiliza e me leva à infância. Um período sem compromissos, distante dos boletos, carregado de criatividade e estímulo à felicidade natural. Momentos nostálgicos que com esses dias que levam o ano velho embora, insistem em aflorar. Lembro-me do silêncio do quintal da minha avó Carmem e do meu avô Willy na Duque de Caxias. Uma floresta. Encerrado o silêncio pelo canto dos pássaros ou pelas vozes das tartarugas no período de acasalamento. Um silêncio que até hoje consigo identificar o canto de cada pássaro. Até o triste cantar das juritis.

Há muito não sentia essa tranquilidade, limitada pelo excesso de trabalho, pelas preocupações da vida adulta e pelo fato de muito tempo ter residido numa grande capital. O silêncio do interior, agregado à paz trazida pelos ventos marítimos tornam esse clima ideal para realmente dizermos que as férias chegaram. Ler, usufruir de boa comida, descansar são essenciais para um ano cheio. Cansativo, mas que fizera parte da vida deste professor que há 28 anos trabalha ininterruptamente por gostar desta profissão, acreditando no ser humano e por necessidade. Pois, se tivera que escolher – ficaria pitando, ou seja, observando a vida passar lentamente como o caipira picando fumo…

*Sérgio Sant’Anna é Professor de Redação no Poliedro, Professor de Literatura no Colégio Adventista e Professor de Língua Portuguesa no Anglo.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.