quarta-feira, 13 maio, 2026

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Coluna Clikando – Um espetáculo de fé que precisa ser visto também como potencial turístico

Por: Gabriel Bagliotti*

A cada ano, as ruas de Taquaritinga se transformam em um verdadeiro cenário de fé, arte e devoção. O tradicional tapete de Corpus Christi, que chega à sua sexta edição consecutiva, tem se consolidado como uma das mais belas manifestações culturais e religiosas da cidade. Ao menos uma centena de fiéis, voluntários e artistas se unem em um trabalho coletivo que encanta moradores e visitantes, deixando evidente que a união das paróquias, da comunidade e dos artistas locais é capaz de produzir um espetáculo de beleza ímpar.

A coordenação técnica mais uma vez ficou a cargo do artista plástico Chico Gabozzo, que, com sua sensibilidade e talento, desenhou todo o trajeto dos tapetes e deu vida às dolomitas, que, em suas múltiplas tonalidades, formaram verdadeiras obras de arte a céu aberto. O trabalho minucioso do artista e de dezenas de voluntários trouxe cor, energia e emoção às ruas da cidade, reafirmando que quando fé e arte se encontram, o resultado é simplesmente extraordinário.

Contudo, o sucesso do evento não pode — e não deve — se restringir apenas ao campo da fé. O que se presencia nas ruas durante o Corpus Christi tem potencial real e palpável para se transformar em um evento de relevância turística regional, estadual e, quem sabe, até nacional. Basta olharmos para o exemplo da vizinha Matão, que realizou neste ano a sua 77ª edição da Festa de Corpus Christi, atraindo não apenas fiéis, mas também turistas de diversas partes do estado, interessados em apreciar os tapetes coloridos e viver a experiência cultural, religiosa e comunitária que o evento proporciona.

Por que Taquaritinga não pode seguir esse caminho? Temos uma tradição que se fortalece a cada ano, um evento que cresce em beleza, organização e participação popular. No entanto, falta visão estratégica por parte das autoridades municipais, que ainda tratam o Corpus Christi como um evento exclusivamente religioso, ignorando — talvez por conveniência, por falta de iniciativa ou simplesmente por aqui tudo ser mais complicado — o enorme potencial de desenvolvimento econômico, turístico e cultural que essa manifestação carrega.

É necessário, e urgente, que as autoridades, em parceria com as paróquias, associação comercial, artistas e a sociedade civil, comece a desenhar um plano estruturado de transformação do Corpus Christi em Taquaritinga em um evento de interesse turístico. Isso significa pensar em sinalização adequada, divulgação antecipada, materiais promocionais, programação paralela com shows culturais, feiras de artesanato, gastronomia local e, claro, estrutura para receber bem quem chega — seja com estacionamento organizado, sanitários, segurança ou pontos de informação.

Cada visitante que chega à cidade movimenta a economia local, seja abastecendo nos postos, comprando nas padarias, comendo nos restaurantes ou até mesmo adquirindo lembranças produzidas por nossos artesãos. Ignorar esse fluxo é desperdiçar uma oportunidade de crescimento econômico e de fortalecimento da identidade cultural da cidade.

O futuro do Corpus Christi em Taquaritinga depende, sim, da fé que move os voluntários e os fiéis, mas também da visão de quem governa a cidade. É preciso deixar de lado o olhar limitado e abraçar um pensamento de desenvolvimento sustentável, onde fé, cultura, turismo e economia caminhem lado a lado. Está mais do que na hora de transformar o que hoje é uma manifestação religiosa de beleza incomparável em um dos maiores eventos turísticos do calendário da cidade, ficando atrás apenas do Carnaval Popular de Taquaritinga.

Fé move montanhas. Mas, se aliada à boa iniciativa, pode também mover a economia e transformar o futuro de Taquaritinga.

*Gabriel Bagliotti é jornalista e diretor presidente de O Defensor.