Um olhar sobre a festa que movimentou a cidade entre 13 e 18 de fevereiro
Por: Gabriel Bagliotti*
Entre treze e dezoito de fevereiro, Taquaritinga mostrou, mais uma vez, por que seu Carnaval é reconhecido como um dos mais vibrantes do interior paulista. Foram dias intensos, de ruas lotadas, energia contagiante e uma organização que deu conta de receber milhares de foliões vindos de diversas cidades do estado e até de outras regiões do país. Como jornalista e como alguém que acompanha há anos a evolução dessa festa, confesso que poucas vezes vi a cidade pulsar com tanta força.
A programação variada ajudou a consolidar essa edição como uma das mais marcantes dos últimos tempos. E não há como negar o protagonismo da Jardineira da Tarde, que completou sua décima oitava edição arrastando uma multidão pelas ruas. Idealizada por Augusto Nunes e inspirada nos grandes cordões de Salvador e Recife, a Jardineira se tornou parte essencial da identidade do nosso Carnaval. Segundo o capitão da Polícia Militar, Israel Pigossi, mais de quarenta mil pessoas acompanharam o cortejo entre a Jardineira da Tarde e a Jardineira da Alegria, número que impressiona e reforça o tamanho da festa.
Essas duas frentes só se mantêm vivas graças ao trabalho incansável da Associação Amigos da Cultura e Lazer “A Jardineira” e da Associação Cultural Musical Maestro José Antonio Marin, que conduzem com dedicação cada detalhe. A Prefeitura Municipal também teve papel importante ao oferecer apoio logístico e estrutural, garantindo que tudo ocorresse com segurança e fluidez.
Outro nome que não pode ser ignorado é o tradicional Trio Elétrico Batatão. Criado em 1983 por integrantes do bloco Batata Doce, o trio surgiu de maneira improvisada, com uma perua equipada com caixas de som na esquina das ruas Campos Salles e Marechal Deodoro. Ali, onde muitos que não frequentavam os clubes encontraram um espaço democrático para brincar, nasceu uma das maiores tradições da nossa folia. Sob o comando de Guilherme Mantese por muitos anos e, depois, dos DJs Claudio Nunes e Juninho Amorim, o Batatão se tornou referência, daqueles símbolos que fazem parte da memória afetiva da cidade. A abertura com “O Caminhão da Alegria”, de Moraes Moreira, segue emocionando quem acompanha essa história desde o começo.
Os dias de maior movimento, sábado e segunda-feira, comprovaram a força dessa tradição. E o coração da festa ficou novamente no cruzamento da General Glicério com a Visconde do Rio Branco, ponto onde a multidão se concentra e onde bares como a Casa da Massa e o Bar do Tadao viraram verdadeiros polos do Carnaval. As repúblicas, permanentes ou temporárias, reforçaram o ambiente festivo, trazendo jovens de diversas regiões e movimentando ainda mais o entorno.
O Palco Jardineira complementou a programação com apresentações e intervenções culturais promovidas por empresários da cidade, ampliando o alcance da festa e oferecendo opções variadas ao público. Essa pluralidade, aliás, é um dos segredos da longevidade do nosso Carnaval: há espaço para todos os gostos, idades e ritmos.
Mas, ao mesmo tempo em que celebramos o sucesso evidente da festa, é preciso olhar com atenção para um ponto que vem preocupando quem acompanha o Carnaval de Taquaritinga há mais tempo: o enfraquecimento dos desfiles das Escolas e Blocos. A queda de público é perceptível e torna urgente uma reflexão sobre como resgatar o brilho que essas apresentações já tiveram. A criação e fortalecimento da Liga Taquaritinguense de Carnaval (LTC) é um passo importante, mas será necessário diálogo, planejamento e, principalmente, valorização dessa tradição para que ela volte a ocupar seu lugar central.
O Carnaval 2027 já começa a ser desenhado, e a expectativa é de que ele seja ainda mais grandioso. O que vimos este ano comprova que Taquaritinga não apenas preserva suas raízes festivas, como também se reinventa continuamente. Se conseguirmos unir tradição, inovação e organização, a cidade seguirá consolidada como um dos maiores e mais autênticos polos carnavalescos do interior paulista. E, como alguém que acredita profundamente na força dessa festa, não posso deixar de dizer: Taquaritinga segue dando exemplo de como celebrar com identidade, alegria e respeito à sua própria história.



