sábado, 26 setembro, 2026
spot_img

spot_img

TOP 5 DESTA SEMANA

Notícias Relacionadas

Coluna Clikando: Dengue – o alerta está ligado e a responsabilidade começa dentro de casa

Identificação de criadouros do Aedes aegypti na região central de Taquaritinga exige atenção imediata. Combater o mosquito não pode ser uma preocupação apenas do poder público, mas um compromisso diário de cada morador

Por: Gabriel Bagliotti*

Alguns alertas não podem ser tratados como simples comunicados. Precisam provocar reação. E é exatamente dessa maneira que vejo a informação divulgada pelo Departamento Municipal de Controle de Vetores (Demcove) sobre a identificação de um elevado índice de infestação do Aedes aegypti na área central de Taquaritinga.

Durante vistorias realizadas em imóveis residenciais, agentes encontraram diferentes criadouros contendo larvas do mosquito. Para mim, esse é o tipo de notícia que precisa despertar imediatamente a nossa atenção, porque estamos falando do transmissor da dengue, uma doença que pode evoluir para quadros graves e colocar vidas em risco.

O mais preocupante é que muitos dos criadouros podem estar justamente onde menos imaginamos ou onde deixamos de olhar: um recipiente esquecido no quintal, um prato sob um vaso, uma calha obstruída, uma garrafa abandonada, um pneu exposto à chuva ou qualquer pequeno objeto capaz de acumular água.

E aqui está uma questão fundamental: não podemos esperar que somente o poder público resolva o problema!

Cabe ao município realizar ações de controle, fiscalização, orientação e acompanhamento. Aos agentes, cabe visitar os imóveis, identificar situações de risco e orientar os moradores. Mas existe uma parte dessa batalha que necessariamente precisa acontecer dentro de nossas casas.

Quantos minutos precisamos para percorrer o quintal e verificar se existe água parada?

É um esforço pequeno diante daquilo que pode representar para toda a comunidade.

Por isso, acredito que precisamos criar o hábito de fazer uma verdadeira vistoria semanal em nossas residências. Caixas-d’água precisam permanecer tampadas; calhas, ralos e telhados devem ser verificados; pneus e recipientes precisam ficar protegidos da chuva; vasos não podem acumular água; e o lixo deve permanecer devidamente acondicionado.

Também considero indispensável permitir o acesso dos agentes de controle de vetores, devidamente identificados, durante as vistorias. Esses profissionais estão nas ruas justamente para localizar situações que muitas vezes passam despercebidas pelos próprios moradores.

O alerta para a região central também precisa servir de aviso para toda Taquaritinga. O mosquito não reconhece limites de bairros e muito menos fica restrito a uma determinada rua. Quando existem condições favoráveis para sua reprodução, o problema pode se espalhar.

E há outro ponto que sempre considero importante: combater a dengue não deve acontecer somente quando os casos aumentam ou quando uma situação preocupante é identificada. Prevenção precisa ser permanente. Quando esperamos a doença aparecer para começar a agir, já estamos atrasados.

Estamos entrando em um período no qual as condições climáticas podem favorecer novamente a proliferação do mosquito. Por isso, considero este o momento de redobrar a atenção.

Não adianta eliminar um criadouro hoje e abandonar os cuidados amanhã. Também não adianta cuidar da própria casa e ignorar um terreno, imóvel ou espaço próximo onde exista água acumulada. A dengue é um problema coletivo e exige comportamento coletivo.

A mensagem, portanto, precisa ser simples e direta: o alerta está ligado em Taquaritinga.

Que cada um faça a sua parte. Que o poder público intensifique as ações necessárias e que nós, moradores, assumamos a responsabilidade que também é nossa.

Porque, quando o assunto é dengue, dez minutos de prevenção podem evitar semanas de sofrimento. E, em situações mais graves, podem ajudar a preservar uma vida.

*Gabriel Bagliotti é jornalista responsável e diretor presidente de O Defensor.