Por: Raphael Anselmo* e Gustavo Girotto**
Ah, a “caixa-preta” de Jeffrey Epstein finalmente aberta pelo Departamento de Justiça dos EUA… Que delícia de transparência! Lá vão os flight logs, depoimentos e evidências dançando uma valsa com nomes de peso, revelando como abusos sexuais e redes de poder se entrelaçam numa coreografia global — com pitadas de extrema-direita no repertório.
Nada de teoria da conspiração: é só folhear o cardápio das festas “Calendar Girls”, onde adolescentes eram o prato principal, leiloadas como troféus de luxo. Johanna Sjoberg, uma das vítimas, relembra toques “acidentais” de Trump em eventos épicos com Epstein. E os logs? Pelo menos sete voos do ex-presidente no Lolita Express. Virginia Giuffre, com seus 13-14 anos na época, descreve episódios forçados ligados à turma.

Na Califórnia, o Trump Golf Course em Palm Beach vira cenário de orgias regidas por Ghislaine Maxwell, com uma vítima recebendo o “convite” clássico: cale-se ou suma, cortesia da segurança da casa.
Aqui no Brasil, o eco chega como samba de enredo: lembra da clássica de Jair Bolsonaro (PL), “pintou um clima” com meninas venezuelanas adolescentes? Aquela pérola viralizou mais nos grupos de WhatsApp do que qualquer escândalo internacional. Prova de que o moralismo seletivo é como dieta: funciona pros outros.
Esses guardiões da família tradicional, que veem “marxismo cultural” em todo canto, parecem trocar olhares cúmplices quando os ídolos visitam ilhotas… exóticas. Epstein? Um abutre bilionário que rodava com Trump, Clinton e a elite toda. Mas “fake news!” só quando o sapato aperta do lado certo.
Em Taquaritinga, a hipocrisia samba como bloco de carnaval — sem fantasias, porque a cara de pau já é o traje. Maridos que batem ponto na missa e, com a amante, no motel no fim de semana. Cheiradores que apontam o dedo para maconheiros.
Paladinos da lisura, herdeiros de berço de “porcentagens” generosas. Milicos anti-comunistas que abraçam o cabidão com o mesmo entusiasmo da tropa no holerite. Santos de Instagram, fariseus de selfie, moralistas de status. Citam versículo na live patriótica e mergulham na lama que juram odiar.
Sabotam os filhos, apostam em novos partidos de boutique com slogans gringos e filtros milagrosos, crendo na redenção por like.
Terra de vergonha zero, onde tudo vale: até samba-enredo sobre o “desenvolvimento do amanhã” — esse amanhã eternamente adiado. Pintou um clima? Que nada: pintou o circo, com enredo pronto para o corso carnavalesco.



