quinta-feira, 18 junho, 2026

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Artigo: O sono como aliado do treino e do emagrecimento

Por: Arthur Michelloni*

Um bom descanso pode ser o fator que falta para melhorar seu desempenho e facilitar a perda de peso. Alimentação equilibrada, rotina de treinos e cuidado com a saúde mental são pilares conhecidos do bem-estar e da longevidade. No entanto, há um quarto elemento igualmente essencial e muitas vezes deixado de lado, o sono. Dormir com qualidade não só impacta diretamente a performance física, como também influencia a regulação hormonal, o controle emocional e o equilíbrio metabólico, tudo isso com reflexo direto na balança e nos resultados dos treinos.

Durante o sono profundo, nosso corpo entra em um processo intenso de recuperação. É nesse período que ocorre a liberação do hormônio do crescimento (GH), responsável pela regeneração muscular e pelo reparo tecidual, especialmente importante para quem treina buscando hipertrofia. Além disso, há o aumento na produção de testosterona, outro hormônio fundamental para construção muscular, energia e força.

A melatonina, conhecida como o hormônio do sono, também tem papel de destaque, além de regular o ciclo circadiano, possui ação antioxidante e ajuda na reparação celular. Quando o sono é interrompido ou insuficiente, todos esses mecanismos são prejudicados, comprometendo diretamente a recuperação física e o progresso nos treinos.

No aspecto emocional, dormir contribui para a regulação do cortisol, hormônio relacionado ao estresse. Quando o sono é ruim ou curto, os níveis de cortisol permanecem elevados, favorecendo o acúmulo de gordura abdominal, a perda de massa muscular e até o aumento da ansiedade e irritabilidade. Isso pode reduzir a motivação para treinar, além de aumentar o risco de lesões devido à fadiga e desatenção.

No emagrecimento, o sono é um verdadeiro regulador do apetite. A falta de descanso afeta a produção de dois hormônios fundamentais, a grelina, que estimula a fome, e a leptina, que promove a saciedade. Quando dormimos pouco, a grelina aumenta e a leptina diminui, ou seja, temos mais fome e menos sensação de saciedade. Isso leva ao consumo maior de calorias, especialmente de alimentos calóricos e ricos em açúcar e gordura. Outro hormônio afetado é a insulina, que se torna menos eficiente após noites mal dormidas, facilitando o acúmulo de gordura corporal.

A recomendação para a maioria dos adultos é dormir entre 7 e 9 horas por noite. Mas não basta apenas a duração, é essencial garantir que o sono seja contínuo e profundo. Para isso, é importante criar um ambiente adequado, escuro, silencioso, sem telas  e adotar hábitos que favoreçam o relaxamento antes de dormir, como reduzir o consumo de cafeína, evitar luz azul (celular e TV), alongar-se levemente (se espreguiçar) ou praticar respiração profunda.

Mas vale lembrar, dormir mais nem sempre significa dormir melhor. O ideal é acordar se sentindo descansado, com disposição física e mental. É nesse estado que o corpo consegue se recuperar dos treinos e se preparar para novos desafios.

A correria do dia a dia muitas vezes dificulta uma rotina de sono adequada, mas o descanso precisa ser tratado como prioridade. Ele não é uma perda de tempo, é um investimento na saúde, no rendimento e na qualidade de vida. Quem deseja emagrecer, ganhar massa magra ou simplesmente viver com mais equilíbrio, precisa lembrar, é durante o sono que tudo começa a se organizar internamente.

Dormir bem é tão estratégico quanto treinar certo ou se alimentar melhor. É no silêncio da noite que o corpo trabalha a nosso favor. Fazer as pazes com o travesseiro pode ser o passo que faltava para transformar seus resultados e buscar a longevidade saudável.

*Arthur Micheloni é Fisioterapeuta, pós-graduado em Osteopatia, Fitoterapia, Ortopedia e Traumatologia, discente e adepto da Medicina Integrativa, Professor de Ciências Biológicas e graduando em Nutrição – e-mail: drarthur@clinicamicheloni.com.