Por: Gustavo Girotto* e Raphael Anselmo**
Num mundo onde muitos ainda confundem diplomacia com subserviência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva volta a dar uma lição de soberania. Em tempos recentes, a cena política brasileira tem mostrado dois estilos de liderança opostos: de um lado, um governo que busca o diálogo em pé de igualdade com as grandes potências; do outro, um passado recente marcado por gestos constrangedores de adoração a líderes estrangeiros.
Lula, ao se encontrar com presidentes de diferentes espectros ideológicos — inclusive figuras polêmicas como Donald Trump, o mais radical ocupante da Casa Branca nas últimas décadas —, manteve a postura que se espera de um verdadeiro chefe de Estado. Sem submissão, sem hostilidade gratuita. Apenas o equilíbrio de quem sabe que o Brasil é grande demais para se ajoelhar diante de qualquer potência, mas maduro o bastante para dialogar com todas.
Essa atitude não é arrogância. É patriotismo. É o oposto da velha “síndrome de vira-lata” que tanto marcou parte da elite brasileira — a ideia de que precisamos sempre de um aval estrangeiro para nos validarmos. Lula fala com líderes mundiais de igual para igual, consciente de que o Brasil tem peso político, econômico e ambiental suficiente para ocupar um papel protagonista no cenário global.
O contraste é inevitável. No governo anterior, vimos uma política externa reduzida a gestos constrangedores, como o famoso “I love you” de Jair Bolsonaro a Donald Trump — uma demonstração de idolatria que envergonhou até os diplomatas mais experientes do Itamaraty. O resultado foi previsível: o Brasil perdeu relevância, fechou portas e virou piada em fóruns internacionais.
Hoje, o país volta a se apresentar ao mundo com dignidade. Lula recupera a tradição de uma diplomacia altiva e ativa — firme na defesa dos interesses nacionais, mas aberta à cooperação e ao diálogo. É esse o Brasil que se faz respeitar: o que não abana o rabo, mas levanta a cabeça.
Porque patriotismo, afinal, não é repetir slogans nem buscar aprovação de potências estrangeiras. Patriotismo é ter coragem de representar o povo brasileiro com dignidade, sem medo de dizer “não” quando necessário e sem vergonha de negociar quando é preciso.
O conservadorismo — essa instituição mais sólida que o prédio da prefeitura — segue firme em Taquaritinga. É ele quem garante que nada mude, nem mesmo a forma de prometer mudança. A política local, coitada, envelheceu mal. Mesmo os mais jovens candidatos, salvo raríssimas exceções, são jovens apenas na certidão: nas ideias, ostentam o mofo de um arquivo morto. E, se nada acontecer — nada mesmo, um cavalo-de-pau civilizatório —, corremos o risco de alcançar o ápice da irrelevância: a insignificância absoluta. Lula envelheceu, mas aprendeu o jogo.



