quarta-feira, 22 abril, 2026

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Artigo: Irisina, o hormônio que seus músculos liberam para proteger seu corpo e mente

Por: Arthur Micheloni*

Você já ouviu falar que “mexer o corpo faz bem para a saúde”? Essa é uma daquelas frases que todo mundo sabe, mas nem sempre coloca em prática. O que poucos imaginam é que, quando você se movimenta, seu corpo libera substâncias poderosas que ajudam a manter tudo funcionando melhor, e uma das mais estudadas nos últimos anos é a Irisina.

Descoberta em 2012 por cientistas da Universidade de Harvard, a Irisina ganhou o apelido de “hormônio do exercício” porque é liberada pelos músculos durante a contração muscular. E não pense que ela atua apenas na força ou na resistência; seus efeitos se espalham pelo corpo inteiro, ajudando desde o controle do peso até a saúde do cérebro.

Mas o que a Irisina faz no seu corpo? O grande destaque da Irisina é a sua capacidade de transformar a gordura branca (aquela que tende a se acumular na barriga, quadris e outras regiões) em gordura marrom (um tipo de tecido adiposo que gera calor no corpo para nos manter aquecidos), que é mais ativa e queima calorias para gerar energia. Isso ajuda no controle de peso, na melhora da glicemia e na redução do risco de doenças, como diabetes tipo 2.

Mas os benefícios não param por aí. Pesquisas mostram que a Irisina também atua no cérebro, estimulando substâncias que protegem os neurônios, melhoram a memória, aumentam a concentração e até reduzem sintomas de ansiedade e depressão. Ou seja, mexer o corpo é um verdadeiro “remédio” natural para a mente.

Produção ao longo da vida

Tanto homens quanto mulheres produzem Irisina, mas a quantidade varia conforme a massa muscular, os hormônios, a idade e o nível de atividade física. Pessoas mais musculosas tendem a produzir mais.

Com o passar dos anos, é comum perder massa muscular (um processo chamado sarcopenia) e, junto com ela, a produção de Irisina diminui. Isso pode facilitar o acúmulo de gordura, aumentar a resistência à insulina e elevar o risco de doenças metabólicas. Por isso, manter-se ativo é ainda mais importante na terceira idade, especialmente com exercícios que preservem a força e a massa muscular.

Mas como aumentar naturalmente seus níveis de Irisina? Não existe pílula nem suplemento aprovado para aumentar a Irisina de forma segura. A maneira mais eficaz continua sendo mexer-se todos os dias. Entre as melhores opções, temos treinamento de força (musculação, pilates ou exercícios com o peso do próprio corpo), atividades aeróbicas (caminhada, corrida, natação, ciclismo ou dança) e treinos intervalados (alternar períodos curtos de esforço intenso com descanso ativo). Além do exercício, dormir bem, manter uma alimentação equilibrada, hidratar-se e controlar o estresse também ajudam a manter um ambiente hormonal saudável.

A descoberta da Irisina reforça algo que a ciência comprova diariamente: nosso corpo foi feito para se mover. Cada vez que você ativa seus músculos, eles liberam sinais químicos que ajudam a proteger, equilibrar e até regenerar funções vitais do organismo.

Não importa a idade, a rotina ou o objetivo, mexer o corpo é investir em saúde, qualidade de vida, bem-estar e longevidade. Mais do que força ou estética, é sobre manter-se funcional, ativo e protegido para enfrentar o presente e o futuro com mais saúde e vitalidade.

* Arthur Micheloni é Fisioterapeuta, Nutricionista e licenciado em Ciências Biológicas. Possui pós-graduação em Osteopatia, Fitoterapia, Ortopedia e Traumatologia, Nutrição no Transtorno do Espectro Autista e Nutrição Esportiva. Atua com abordagem baseada na Medicina Integrativa, unindo ciência e experiência clínica. drarthur@clinicamicheloni.com

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.