Por: Rodrigo Segantini*
Nos últimos dias, começou a circular em Taquaritinga uma lista com nomes de pessoas físicas que estariam prestando serviços à Prefeitura por meio de empresas terceirizadas. À primeira vista, poderia parecer apenas um levantamento burocrático ou uma curiosidade administrativa. Mas não é. O que inquieta é o que essa lista parece esconder: nela constariam servidores aposentados que, mesmo em inatividade, seguiriam atuando como se ainda ocupassem seus antigos cargos; indivíduos ligados por laços familiares a gestores públicos, o que sugere nepotismo; e pessoas contratadas por mera conveniência política, em cabides de emprego disfarçados, que ocupam funções próprias de servidores concursados.
Se confirmada, a situação é grave. Há indícios claros de desvio de função, nepotismo e apadrinhamento — todos males que sangram silenciosamente os cofres públicos. Esses vícios desestimulam o servidor efetivo, fragilizam a administração e ofendem os princípios da moralidade e da impessoalidade que devem nortear os trabalhos de qualquer órgão de governo. Quando empresas de fachada são usadas para manter vínculos pessoais ou políticos, a administração deixa de servir ao povo para servir a interesses privados.
No entanto, se por um lado é inaceitável o uso da máquina pública como espaço de favorecimento pessoal, por outro é preciso cuidado com os julgamentos apressados. A fofoca e a maledicência, tão destrutivas quanto o desvio de função, ferem reputações, confundem a verdade e desconstroem a confiança social. Não é porque há fumaça que se pode afirmar, sem apuração, que há incêndio. Mas também não é admissível fingir que não há fogo.
Por isso, precisamos exigir transparência, investigação e ação firme. Cabe ao prefeito Fúlvio Zuppani, aos vereadores e, sobretudo, ao Ministério Público, darem as respostas que a população espera. Taquaritinga já conhece, e muito bem, as consequências da omissão quando se trata do zelo com a gestão pública. O passado recente mostrou que, quando se adia o corte da raiz podre, o tronco inteiro apodrece. E os custos vêm — seja em dinheiro, em tempo ou em legitimidade institucional. Como lembrou o grande escritor francês Victor Hugo, autor da colossal obra “Os Miseráveis”, quando a justiça se afasta da transparência, o povo deixa de reconhecê-la e passa a temê-la ou a desprezá-la.
Não basta que tudo esteja dentro da legalidade. É preciso que tudo pareça estar. Essa é a essência do adágio antigo: “À mulher de César não basta ser honesta, é preciso parecer honesta.” A frase remonta a um episódio envolvendo Pompeia, esposa de Júlio César. Acusada de comportamento impróprio durante um festival religioso, embora não houvesse provas concretas contra ela, César a repudiou publicamente. Quando questionado, respondeu que a esposa de César deve estar acima de qualquer suspeita. Ou seja, quem trabalha na administração pública, seja servidor, seja autoridade, deve não apenas agir com retidão, mas ser reconhecido como alguém íntegro, sem qualquer dúvida ou suspeita.
Taquaritinga não precisa de linchamentos morais, nem de silêncio cúmplice. O que Taquaritinga precisa é da verdade. Clara, firme e objetiva. Que ela venha — e que venha logo. Para que nomes não sejam lançados à lama sem terem feito nada de errado, mas, sobretudo, para que a justiça não tarde para aqueles que estejam promovendo o erro.



