Conglomerado ligado às redes Ricoy e Vencedor Atacadista acumula passivo próximo de R$ 700 milhões; decisão ainda pode ser objeto de recurso
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decretou a falência do Grupo Ricoy, conglomerado que reúne empresas ligadas às redes Ricoy e Vencedor Atacadista, que manteve uma unidade em Taquaritinga até novembro de 2025. A decisão foi proferida em 28 de agosto pela juíza Fernanda Perez Jacomini, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, e ainda cabe recurso.
A medida encerra a tentativa de recuperação judicial iniciada pelo grupo no final de 2025. Conforme os documentos do processo, as empresas declararam inicialmente R$ 518,995 milhões em dívidas, distribuídas entre 5.027 credores. Também foram reconhecidos aproximadamente R$ 172 milhões em débitos com a União e as prefeituras de Jundiaí, São Paulo e Carapicuíba. Considerados esses valores, o passivo mencionado no processo se aproxima de R$ 700 milhões.
A conversão da recuperação em falência ocorreu após a rejeição do plano de recuperação pelos credores. A decisão judicial também determina providências destinadas à localização e ao bloqueio de bens e contas bancárias vinculadas às empresas atingidas, dentro dos procedimentos próprios do processo falimentar.
Durante a recuperação judicial, o grupo atribuiu a crise financeira a fatores como o aumento da concorrência no segmento de atacarejos, dificuldades fiscais relacionadas à incorporação de outro grupo empresarial e a elevação da taxa Selic a partir de 2022, que, segundo as empresas, aumentou o custo do endividamento.
Em Taquaritinga, os reflexos da crise começaram antes da decretação da falência. A unidade do Vencedor Atacadista encerrou as atividades em novembro de 2025, deixando cerca de 40 trabalhadores dispensados. Na ocasião, os funcionários também ficaram sem receber o último salário.
Segundo advogados que acompanham os ex-funcionários, havia expectativa de que a recuperação judicial avançasse para a definição do cronograma e da forma de pagamento das verbas rescisórias. O processo, entretanto, não chegou à homologação do plano.
Com a falência, os trabalhadores da antiga unidade de Taquaritinga que já estavam habilitados na recuperação judicial passam a aguardar o andamento do processo falimentar para buscar o recebimento dos créditos trabalhistas. Até o momento, não há prazo definido para pagamento, que dependerá das etapas legais de arrecadação, verificação e destinação do patrimônio das empresas.




