terça-feira, 14 julho, 2026

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Responsabilidade: Uso de cerol e linha chilena pode resultar em multas, fechamento de empresas e até investigação por homicídio

Após morte de motociclista em Taquaritinga, autoridades reforçam alerta sobre as consequências legais e os riscos provocados por linhas cortantes utilizadas em pipas

A morte do professor de Tecnologia da Informação Fábio José Colombo, de 49 anos, após ser atingido por uma linha com cerol enquanto conduzia uma motocicleta em Taquaritinga, reacendeu o debate sobre os riscos provocados pelo uso de materiais cortantes em pipas. O caso, que gerou forte comoção no município, está sendo investigado pela Polícia Civil e evidencia que a utilização de cerol e de linhas cortantes pode extrapolar a esfera administrativa, alcançando a responsabilidade criminal, inclusive com possibilidade de investigação por homicídio, conforme o resultado da apuração.

O episódio reforça o alerta das autoridades para uma prática que, apesar de recorrente em períodos de maior incidência de pipas, representa grave risco à vida de motociclistas, ciclistas, pedestres e até mesmo de quem participa da brincadeira. Além do perigo físico, a legislação estadual e municipal prevê multas, apreensão de materiais, responsabilização dos pais de menores infratores e severas punições para estabelecimentos que comercializam esses produtos.

De acordo com a legislação vigente, quem utiliza cerol ou linha chilena está sujeito ao pagamento de 50 UFESPs, conforme estabelece a Lei Estadual de São Paulo. Considerando o valor da UFESP em 2026, a penalidade corresponde a aproximadamente R$ 1.921,00. Além disso, em Taquaritinga, a legislação municipal prevê multa adicional de R$ 300,00, valor que pode ser dobrado em caso de reincidência.

As sanções não se limitam ao aspecto financeiro. Todo o material utilizado na infração, incluindo pipas, linhas e carretéis, poderá ser apreendido pelas autoridades competentes. Quando o infrator for menor de idade, os pais ou responsáveis legais passam a responder pelas multas e demais consequências decorrentes da conduta praticada.

Entretanto, a situação torna-se ainda mais grave quando o uso da linha cortante provoca acidentes com vítimas. Dependendo das circunstâncias e do resultado da investigação, o responsável poderá responder criminalmente por delitos como lesão corporal ou homicídio, hipótese que ganha relevância diante da morte registrada recentemente em Taquaritinga.

As punições também alcançam os estabelecimentos comerciais que fabricam, armazenam, transportam, distribuem ou vendem esses materiais. A legislação prevê multa gravíssima de 5.000 UFESPs, equivalente a aproximadamente R$ 192.100,00, valor que demonstra a severidade das penalidades aplicadas ao comércio irregular.

Além da multa, os estabelecimentos estão sujeitos a outras sanções administrativas. Em caso de reincidência, poderá ocorrer a perda definitiva da inscrição estadual, impedindo a continuidade das atividades comerciais. No âmbito municipal, empresas flagradas comercializando cerol ou linha chilena podem sofrer a cassação do Alvará de Licença e Funcionamento, ficando impedidas de operar.

A proibição não se restringe apenas à venda do produto. A legislação alcança toda a cadeia de circulação desses materiais, abrangendo fabricação, armazenamento, transporte, distribuição e comercialização de qualquer linha com características cortantes.

Outro aspecto importante diz respeito ao conhecimento sobre os produtos proibidos. O cerol é produzido pela mistura de cola com vidro moído, criando uma superfície extremamente abrasiva capaz de cortar com facilidade. A linha chilena, por sua vez, normalmente utiliza cola de madeira misturada com quartzo moído, apresentando elevado poder de corte. Já a chamada linha indonésia costuma ser confeccionada com cola à base de cianoacrilato, popularmente conhecida como “supercola”, combinada com carbeto de silício ou óxido de alumínio, tornando-se igualmente perigosa.

Especialistas e autoridades reforçam que esses materiais transformam uma atividade recreativa em uma prática de alto risco. Quando utilizados em áreas urbanas, principalmente próximas a vias de trânsito, representam ameaça permanente à integridade física de quem circula pelas ruas.

Após a morte de Fábio José Colombo, o episódio passou a simbolizar as consequências que o uso dessas linhas pode provocar. O caso chamou a atenção da população e reforçou a necessidade de conscientização sobre os riscos envolvidos, bem como da intensificação da fiscalização por parte dos órgãos competentes.

A Polícia Civil segue investigando as circunstâncias do acidente para identificar eventuais responsabilidades. Paralelamente, campanhas educativas têm buscado conscientizar crianças, adolescentes, pais, comerciantes e toda a sociedade de que a diversão com pipas deve ocorrer de forma segura, sem utilização de qualquer material cortante.

As autoridades orientam que a população denuncie a fabricação, venda ou utilização de cerol, linha chilena e outros materiais semelhantes. O objetivo é prevenir novos acidentes e evitar que outras famílias enfrentem tragédias semelhantes.

Mais do que uma infração administrativa, o uso de linhas cortantes representa um comportamento capaz de produzir consequências irreversíveis. Respeitar a legislação e preservar a vida são atitudes fundamentais para que uma atividade tradicional de lazer não se transforme em motivo de dor e luto para toda a comunidade.