terça-feira, 16 junho, 2026

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Jogando Limpo – Estreia de Copa não se joga. Se sobrevive!

Por: Rodrigo Panichelli*

E a Copa do Mundo começou.

E a estreia do Brasil já veio daquele jeito que o torcedor conhece bem: com cara de filme. Um pouco de terror, algumas cenas de suspense e um final que tentou flertar com superação.

Porque Copa do Mundo não entrega roteiro lógico. Entrega teste cardíaco.

Mas uma coisa ficou evidente logo nos primeiros minutos: ainda tem gente parecendo não ter desembarcado na competição.

E estou falando de jogador mesmo.

Tem atleta que parece entrar em campo carregando o peso de um país. Tem outro que parece carregando notificações do celular.

Paquetá ainda parece buscar o próprio jogo. Raphinha dá a sensação de que ainda procura a Copa que esperavam dele. Não é questão de talento — porque isso eles têm de sobra — mas Copa do Mundo não espera ninguém entrar no ritmo.

Ela atropela.

E para quem acompanha futebol só de quatro em quatro anos, já fica o aviso: aqueles gols perdidos pelo Igor Thiago podem até parecer inacreditáveis.

Mas quem acompanha sabe que, onde ele atua, isso acontece. O problema é que seleção brasileira muda escala de cobrança.

Aqui o erro vale replay infinito.

Na seleção o torcedor cobra mais um atacante perder gol do que cobra muita promessa feita em campanha.

E por falar nisso…

Quantos políticos no estádio.

Cada um faz da própria vida o que quiser. Pode ser sonho de infância. Pode ser momento pessoal. Pode ser paixão por futebol.

Mas em ano de eleição o estádio vira arquibancada e vitrine ao mesmo tempo.

E aí cada torcedor interpreta do jeito que quiser.

Só que o jogo continua.

A próxima parada parece mais tranquila no papel.

Mas Copa do Mundo ensina há décadas que papel não corre, não marca e não entra dividido.

Se o Brasil entrar dormindo…

O Haiti é logo ali.

Ou melhor…

O Brasil é logo ali, como diz a música.

E aí o voo de volta chega mais cedo e a gente fica em maus lençóis.

Porque Copa não perdoa sobrenome.

Copa não respeita currículo.

Copa só pergunta uma coisa:

Quem quer continuar sonhando?

E o Brasil precisa responder isso dentro de campo.

* Rodrigo Panichelli é apaixonado por futebol e colaborador de O Defensor.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.