sexta-feira, 17 abril, 2026

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Nutrição baseada em ciência: Conselho Federal intensifica combate à desinformação em saúde

Diante da circulação acelerada de informações falsas, CFN amplia ações educativas e institucionais para proteger a população e valorizar a atuação profissional

A disseminação de informações falsas sobre alimentação e saúde tem se intensificado no ambiente digital, impulsionada sobretudo pelas redes sociais. Nesse contexto, o impacto ultrapassa o campo da desinformação e se reflete em escolhas alimentares inadequadas, adoção de práticas de risco e prejuízos concretos à saúde da população. Diante desse cenário, o Conselho Federal de Nutrição (CFN) tem ampliado, de forma permanente, suas ações de enfrentamento à desinformação em saúde, reforçando a centralidade da ciência e das evidências científicas na orientação nutricional.

Por meio da Campanha de Combate à Desinformação na Saúde, o CFN produz cards, folders, informativos e materiais educativos destinados ao público em geral. O objetivo, segundo o Conselho, é alertar sobre os riscos das dietas da moda, das práticas restritivas e do consumo de produtos divulgados sem respaldo técnico. A mensagem central é clara: alimentação é um tema sério e deve ser conduzido por nutricionistas, profissionais legalmente habilitados para oferecer orientações seguras, individualizadas e responsáveis.

Um dos eixos centrais da campanha é o enfrentamento do chamado terrorismo nutricional, caracterizado pela demonização de alimentos amplamente consumidos, como trigo, leite, ovos e açúcar, sem fundamentação científica. Além disso, dietas sem comprovação, frequentemente promovidas por influenciadores digitais interessados na venda de soluções rápidas, ampliam a confusão informacional. Essas práticas, ao excluírem grupos alimentares essenciais, podem provocar desequilíbrios nutricionais, alterações intestinais e impactos negativos à saúde.

Entre os exemplos citados pelo CFN está a chamada dieta carnívora, baseada exclusivamente no consumo de carnes e na exclusão de frutas, verduras e legumes. Segundo o Conselho, não existem fórmulas milagrosas para emagrecimento ou promoção da saúde, e a adoção de modismos alimentares sem acompanhamento profissional expõe a população a riscos desnecessários.

Paralelamente, a campanha também busca estimular o pensamento crítico do cidadão diante de conteúdos e produtos divulgados online. Um ponto sensível é o comércio digital de suplementos alimentares. Apenas em 2024, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu mais de 55 mil notificações para a retirada de anúncios irregulares, evidenciando a dimensão do problema. Nesse sentido, o CFN atua junto ao Congresso Nacional, oferecendo apoio técnico a propostas que tratam da regulamentação da formulação, comercialização e uso desses produtos.

Outro alerta diz respeito à adulteração de suplementos, prática que representa risco direto à saúde, especialmente de crianças e idosos. Para o CFN, a regulamentação do setor é urgente e deve priorizar a segurança do consumidor e o direito à informação confiável. Ao integrar educação, comunicação pública e atuação institucional, o Conselho reafirma seu compromisso com a saúde coletiva, a valorização da ciência e a proteção da sociedade frente à desinformação.