quinta-feira, 30 abril, 2026

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Artigo: Gestão pública em alerta

O que a ausência de fiscalização revela.

Por: Igor Sant’Anna*

A eficiência da gestão pública não se mede apenas por grandes obras, discursos entusiasmados ou anúncios de programas ambiciosos. Ela se materializa, sobretudo, no cotidiano: na iluminação que funciona, na limpeza das ruas, na manutenção dos equipamentos públicos, na preservação do patrimônio e na garantia de que as leis municipais sejam cumpridas.

Em Taquaritinga, no entanto, o que se vê é um crescente distanciamento entre o que está previsto nas normas e o que é realmente fiscalizado.

A ausência ou fraqueza da fiscalização municipal tem permitido que problemas antigos se perpetuem e novos se instalem. Em vários bairros, observa-se a deposição irregular de lixo e entulho; em outros, obras particulares avançam sobre calçadas; em alguns pontos, áreas públicas sofrem degradação sem que haja atuação preventiva. Tudo isso compõe um cenário que não surge por acaso, mas sim como consequência direta da insuficiência de fiscalização, seja por falta de estrutura, vontade política, organização, planejamento ou prioridade administrativa.

A demanda dos moradores é clara e recorrente, pois Taquaritinga precisa de uma gestão que veja a fiscalização como um eixo central da administração, e não como um apêndice pouco relevante. Fiscalizar não significa punir indiscriminadamente, mas garantir regras iguais para todos. É assegurar que a cidade funcione, que o dinheiro público seja respeitado e que o interesse coletivo prevaleça sobre práticas individuais que prejudicam toda a comunidade.

Outro ponto crítico é a falta de integração entre setores. Muitas vezes, denúncias de moradores não encontram retorno porque não há fluxos eficientes entre secretarias. O resultado é previsível: o cidadão se frustra, o problema se agrava e a cidade perde.

A solução, entretanto, não é complexa, mas exige compromisso político e administrativo. Reforço das equipes técnicas, implantação de canais de denúncia eficazes, transparência nos processos, fiscalização contínua de serviços terceirizados, uso de tecnologia para monitoramento urbano e, acima de tudo, uma gestão que entenda que cuidar do espaço público é mais do que obrigação: é um pacto com o futuro da cidade.

Taquaritinga não precisa reinventar a roda. Precisa apenas fazer funcionar o que já existe: leis municipais, contratos, planos e instrumentos de controle. A população tem feito sua parte, cobrando e apontando falhas. Agora, cabe ao poder público reconhecer que a fiscalização não é um detalhe técnico, é o alicerce de uma cidade que deseja crescer com ordem, qualidade de vida e respeito ao contribuinte.

Enquanto a fiscalização não for tratada como prioridade, Taquaritinga continuará pagando um preço alto: o da desorganização urbana, da sensação de abandono e da distância entre governo e sociedade. Uma cidade que fiscaliza é uma cidade que se leva a sério. E está mais do que na hora de Taquaritinga assumir esse compromisso.

*Igor Sant’Anna é colaborador de O Defensor.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.