quinta-feira, 16 abril, 2026

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Nossa Palavra – O drama do SUS, um sistema indispensável que precisa ser fortalecido

O Sistema Único de Saúde (SUS) é, sem dúvida, uma das maiores conquistas sociais da história do Brasil. Criado sob os pilares da universalidade, equidade e integralidade, o SUS garante atendimento gratuito a mais de 200 milhões de brasileiros — um feito monumental em um país de dimensões continentais e profundas desigualdades. No entanto, o que se vê, cotidianamente, é um sistema sobrecarregado, sucateado e, muitas vezes, desumanizado, sobrevivendo mais pela dedicação dos profissionais do que pela eficiência das políticas públicas.

As filas nos pronto-atendimentos, as cirurgias eletivas que demoram meses, a falta de medicamentos básicos e a escassez de leitos hospitalares são sintomas de uma crise estrutural que há anos se arrasta. A pandemia de Covid-19 escancarou o que especialistas já alertavam: o SUS é indispensável, mas está em estado de emergência crônica. Falta financiamento adequado, gestão eficiente e, sobretudo, vontade política para enfrentar as distorções que corroem o sistema.

É preciso reconhecer que, sem o SUS, o país teria mergulhado no colapso durante a crise sanitária global. Foi o sistema público que garantiu vacinação em massa, atendimento gratuito e vigilância epidemiológica. Ainda assim, passada a emergência, o debate sobre fortalecer o SUS parece ter perdido força, substituído por promessas vagas e pela priorização de agendas menos urgentes.

Os números não mentem. De acordo com o Conselho Nacional de Saúde, mais de 70% da população brasileira depende exclusivamente do SUS. E, paradoxalmente, o orçamento destinado à saúde pública é constantemente comprimido por contingenciamentos e cortes. Enquanto isso, clínicas e hospitais particulares se multiplicam, impulsionados por uma lógica de mercado que transforma o direito à saúde em mercadoria. O resultado é um abismo crescente entre quem pode pagar e quem depende do que o Estado consegue oferecer.

Mas o drama do SUS não se resume à falta de recursos. O problema é também de gestão e prioridades. Há municípios que gastam milhões em contratos terceirizados, sem resultados compatíveis. Há unidades com estrutura moderna, mas sem profissionais suficientes; e outras onde o improviso é a regra, com médicos exaustos e pacientes desesperados. O sistema é gigantesco, complexo e essencial — e justamente por isso, não pode continuar à deriva.

A população, por sua vez, precisa compreender que defender o SUS é defender a si própria. É exigir transparência na aplicação dos recursos, fiscalização dos contratos, valorização dos profissionais da saúde e políticas públicas contínuas — não apenas ações pontuais em períodos de crise. O SUS não é um favor do governo, é um direito constitucional e uma expressão concreta da solidariedade social.

Outubro, com sua simbologia de campanhas de prevenção e conscientização — especialmente o Outubro Rosa, voltado à saúde da mulher —, deveria servir também como lembrete de que prevenir é investir. E que investir em saúde pública é investir em dignidade, em vida e em futuro. Nenhum país se desenvolve plenamente enquanto parte de sua população morre em filas de espera, sofre com a falta de medicamentos ou é atendida em condições indignas.

O SUS precisa ser repensado, modernizado e fortalecido. Não se trata apenas de aumentar verbas, mas de melhorar a gestão, combater a corrupção, descentralizar decisões e valorizar quem está na linha de frente. É um esforço coletivo que exige comprometimento de gestores, legisladores e cidadãos.

O Jornal O Defensor acredita que é hora de transformar o discurso em ação. De deixar de tratar o SUS como um problema e começar a tratá-lo como a solução que o Brasil precisa fazer funcionar. Um país que abandona seu sistema público de saúde abandona o próprio direito à vida.