Por: Rodrigo Segantini*
Lançar um jornal em pleno século XXI exige mais do que vontade. É preciso ter coragem, visão e, acima de tudo, um compromisso inabalável com a informação. Em um tempo em que as pessoas mal terminam de ler uma manchete e já estão distraídas pela próxima notificação, criar um novo espaço para reflexão é uma atitude rara. Marcos Bonilla conhece bem esse cenário. Não está dando um salto no escuro, mas renovando um chamado antigo, daqueles que nunca deixaram de ecoar dentro dele. Seu novo projeto, o jornal Opinião, nasce com a alma da sua tradicional coluna e carrega também o peso de décadas de vivência jornalística em Taquaritinga.
Essa não é sua primeira experiência à frente de um veículo de imprensa. Quando Paulinho Delgado decidiu passar adiante a direção deste O Defensor, Bonilla o assumiu e conduziu o semanário com firmeza e personalidade, mantendo sua relevância na cidade. Anos depois, repassou a publicação ao atual responsável, Gabriel Bagliotti, que até hoje dá continuidade ao trabalho com seriedade e profissionalismo. Agora, ao lançar seu novo jornal, Bonilla reafirma o que sempre deixou claro: Taquaritinga merece informação de qualidade, opinião fundamentada e espaço para o debate.
A cidade, aliás, parece ter vocação natural para a comunicação. Mesmo com uma rotina relativamente tranquila, pululam rádios com programas jornalísticos, jornais impressos ou digitais, sites noticiosos e uma infinidade de grupos de zapzap, esquinas sussurrantes e línguas maledicentes que circulam novidades com uma velocidade impressionante. Às vezes, a fofoca chega antes da notícia, e o zum-zum-zum se espalha mais rápido que manchete em primeira página. Pode até parecer exagero, mas talvez isso diga mais sobre o espírito taquaritinguense do que sobre a realidade dos fatos. Há aqui um desejo genuíno de saber o que acontece e, muitas vezes, de parecer que se sabe mais do que de fato se sabe.
Bonilla conhece como poucos essa dinâmica. Seu texto sempre foi direto, certeiro e crítico, mas sem perder o senso de responsabilidade. Não basta informar. É preciso interpretar o que está diante dos olhos, buscar o que está por trás das aparências e oferecer ao leitor mais do que o óbvio. Em tempos em que o morango do amor se torna febre do momento logo após a ascensão e queda do advento de labubus, em uma época em que o nós-contra-eles vai além de um Corinthians x Palmeiras, Bonilla se propõe justamente a oferecer um espaço de análise, memória e diálogo. Missão difícil, mas ele já enfrentou pressões maiores, contornou resistências e se manteve fiel ao que acredita. Isso não se compra nem se improvisa.
Desejo que o Opinião encontre leitores atentos, que saibam reconhecer o valor de uma publicação feita com seriedade. Que ele tenha vida longa, capacidade de provocar reflexão e talento para formar opinião. E que contribua, como tantos outros já contribuíram, para que Taquaritinga continue sendo uma cidade que fala, escuta, argumenta e cresce. A boa imprensa é um ato de serviço e, nas mãos de quem tem história, pode ser também uma declaração de amor à comunidade que serve.



