sábado, 30 maio, 2026

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Jogando Limpo – Minha Seleção de Todos os Tempos

Capítulo 2 – O Camisa 2 que merecia a 10

Por: Rodrigo Panichelli*

Toda segunda-feira, nesta coluna, sigo montando a minha seleção de todos os tempos. Não é a dos livros de história da FIFA, nem a da votação popular dos aplicativos. É a minha. Feita com memória, paixão e respeito. Cada posição escolhida com critério subjetivo e emocional — porque o futebol é feito disso também.

Hoje, apresento — com a autoridade de quem já viu muito perna-de-pau e craque de verdade — o dono da minha camisa 2: Leandro, do Flamengo e da Seleção Brasileira.

Não teve Copa do Mundo levantada por ele. Não pisou no gramado de Wembley numa noite de Champions. Mas não é por causa disso que vamos nos deixar enganar. Leandro jogou mais bola do que a maioria dos que encheram as prateleiras com taças e medalhas. Aliás, jogou tanto que poderia, sem exagero, vestir a 10. E a faixa de capitão. E talvez até dirigir o time com a mesma serenidade com que descia pela lateral direita como quem compunha uma sinfonia.

O futebol brasileiro produziu grandes laterais. Carlos Alberto Torres, Cafu, Jorginho, Maicon, Daniel Alves — todos campeões DE TUDO.  Mas nenhum teve a elegância sutil, a inteligência tática e a capacidade técnica que Leandro exibia com naturalidade absurda. Jogava de cabeça erguida, sem pressa, como se estivesse sempre um pensamento à frente de todos.

Jogava tanto, mas tanto, que quando a vida quis testá-lo, e o joelho já não obedecia, ele se reinventou como zagueiro. E adivinhe? Jogou como poucos também.

Mas Leandro era mais do que um jogador. Era um homem de postura. Quando discordou do corte de seu companheiro Renato para a Copa de 1986, abriu mão da Seleção por lealdade ao amigo. Em tempos de futebol corporativo e declarações ensaiadas, essa atitude soaria como um cometa de ética.

Leandro foi, para mim e para tantos outros que viram ou estudaram sua carreira, o lateral-direito mais completo que o Brasil já produziu. A camisa 2 da minha seleção é dele. Sem discussão. Sem VAR. E com um aplauso em pé.

*Rodrigo Panichelli é colaborador d’O Defensor.