Artigo: Viva a Imprensa livre!

Por: Rodrigo Segantini*

O presidente Jair Bolsonaro, enquanto passeava por uma praia em Santa Catarina, curtindo um feriado que a todos os brasileiros de boa índole foi negado, fez um vídeo e colocou para circular nas redes sociais no qual diz, dentre outras coisas, que “o certo é tirar de circulação a Globo, a Folha de São Paulo, Estadão, O Antagonista”. Enquanto vocifera tal afirmação, ressalva que não vai fazer isso porque é democrático. No entanto, como toda a brincadeira tem um fundo de verdade, há uma ameaça no fundo de sua declaração.

A imprensa livre é uma das maiores conquistas da civilização. No Brasil, os jornalistas tiveram papel fundamental para que nosso país pudesse conseguir algum avanço. Graças ao jornalista Líbero Badaró, Dom Pedro I teve seus planos autocráticos limitados. O jornalista Carlos Lacerda limitou a sanha ditatorial de Getúlio Vargas e combateu a insanidade de Jânio Quadros. O jornalista Vladimir Herzog deu sua própria vida lutando contra o regime militar, o que foi a causa da ruína do governo dos generais e o começo do movimento Diretas Já.

Para falar de conquistas recentes da imprensa livre, podemos nos lembrar que o presidente Fernando Collor caiu porque seu irmão Pedro deu uma entrevista à revista Veja denunciando a improbidade de seu governo. Também foi a imprensa livre que levou o povo às ruas quando divulgou o que estava acontecendo no governo petista sobre os escândalos do Mensalão e do Petrolão.

Agora, Bolsonaro quer calar os veículos de informação. O que o atual presidente está defendendo não é o fim da liberdade de imprensa, como muitos acreditam e seria algo execrável. O que ele apregoa é ainda mais desprezível: é o fim da imprensa livre. Jair não está dizendo que os jornais podem existir, mas o que podem falar devem passar por crivo prévio – o que seria o fim da liberdade de imprensa. O que ele está dizendo é que os jornais sequer podem existir – que é o fim da imprensa livre. Sua audácia é tão grande que ele diz isso enquanto passeia pela praia; sua petulância é tão grande que chega a dizer que a imprensa segue livre porque ele permite, porque ele deixa, já que é democrático.

A democracia e a imprensa livre são duas faces da mesma moeda. Enquanto houver um jornalista em pé, haverá imprensa livre. Enquanto houver imprensa livre, o povo terá voz. Enquanto o povo tiver voz, ninguém colocará sua nação de joelhos. Viva a Imprensa livre!

*Rodrigo Segantini é advogado, professor universitário, mestre em psicologia pela Famerp

**Os artigos assinados não representam a opinião de O Defensor!