Artigo: Enquanto o País afunda, ele nada

Por: Prof. Sergio A. Sant’Anna*

Há dois anos Jair Messias Bolsonaro governa o Brasil. E não há dúvidas de que estamos pior. Retrocedemos. Estamos sobre um período retrópico, como bradou Zigmunt Bauman em sua última produção. Ultrapassamos aos 200 mil mortos vítimas da covid-19. Alguns diriam: “vamos falar de coisas boas…”, mas como? Foram 200 mil famílias dilaceradas, estas que perderam um, dois, três membros. Não há como se calar e engolir essa tragédia, que se avoluma a cada dia. Declarações do Chefe da Nação, que deveria se comportar como um líder, orientando à população e tranquilizando-a, demonstram sua ineficiência e características de um torcedor, preocupado com as Eleições de 2022. O cenário só não é mais aterrorizador, pois a Ciência Brasileira, mesmo com os minguados recursos, cortados pelo atual presidente da República, abdicaram de seus lares em prol dos demais humanos e mostraram a competência dos nossos pesquisadores. A vacina produzida no Brasil com a parceria chinesa é o que nos fortalece e permite imaginarmos um futuro distante desta tragédia pandêmica.

Eleito flamulando a bandeira do combate à corrupção e, também, uma reforma econômica, algo que tornaria nossa economia pujante, o atual presidente da República, depois de dois anos, parece ter jogado a toalha. Porém, como jogar a toalha se nunca começou o combate? A única disputa enfrentada pelo Messias, que de salvador não possui nada, é diante da Imprensa, esta que ele insiste em atacar e cotidianamente usar da sua pirotecnia para agradar o seu cercadinho. Amansar ao seu rebanho.

Ao confessar o seu fracasso diante da ineficácia de seu grupo na condução do País, cujas características e atitudes sempre versaram apenas ao implantar sua ideologia, tão combatida em relação a outros grupos político-partidários, Bolsonaro espera e acena para 2022 com a certeza de ser candidato (reeleição combatida por ele enquanto deputado federal), ganhar às eleições e continuar a defender o seu clã. A defesa de seus filhos e o preparo do golpe são atitudes a serem tomadas pelo condutor do Executivo ao ser proclamado Presidente da República Federativa do Brasil em 2023. Falas expostas pelos meios de comunicação na última semana, apresentam sinais nítidos de que Jair lutará com todas as armas para ser proclamado Presidente da República reeleito, e qualquer alternativa que não seja à sua vitória levar-nos-á ao que fora arquitetado pelo seu “muso” Donald Trump em relação ao que acontecera no Capitólio.

A insistência do presidente da República em tratar o coronavírus como uma gripezinha, que será curada apenas com o ingerir de cloroquina e ivermectina – esse último apenas receitado aos animais – kkkkkk), remédios não aceitos pela OMS (Organização Mundial da Saúde), refletem o grau de importância dado aos milhões de brasileiros infectados e os milhares de mortos espalhados por este País. Declarações expostas por Bolsonaro, principalmente através de suas redes sociais, atestam à sua maldade e sua irresponsabilidade para com o povo brasileiro, que acreditou (milhões) em sua fala remendada e preconceituosa. Jair Messias Bolsonaro é a soma de diversas características incutidas no cidadão brasileiro, principalmente a hipocrisia. Enquanto o País entristecia com número de mortos ultrapassando os 200 mil, Messias nadava e mostrava, através de suas braçadas apáticas e respiração vencida, a importância para com o cidadão brasileiro. Bolsonaro poderá ser punido, impedido, porém não será esquecido pela legião de adoradores que o proclamaram Presidente da República. Nossa memória é falha, a História nos mostra a adoração aos maus elementos. A República de Bananas foi instituída para que Bolsonaro e sua súcia nadassem e nós afundássemos.

*Prof. Sergio A. Sant’Anna – Professor de Redação nas Redes Adventista e COC em SC e jornalista.

**Os artigos assinados não representam a opinião de O Defensor!