Qual é o melhor diesel para seu caminhão?

As diferenças entre S-10 e S-500, como eles performam nos diferentes motores de veículos pesados e qual é o mais indicado para cada tipo de caminhão.

Com uma frota de caminhões tão expressiva – 2 milhões de unidades, em 2019, segundo o Sindipeças -, o diesel é um combustível essencial para o Brasil. Mas são tantos tipos para diferentes veículos e máquinas que pode ser um pouco confuso saber qual é o mais indicado para aplicações tão variadas em um País em que abastecimento de produtos é feito, majoritariamente, por modal rodoviário.

Para explicar tudo sobre o assunto, Marco Lassen, coordenador técnico de Combustíveis da Raízen, licenciada da marca Shell, esclarece qual é o tipo ideal em cada caso. Ele também ensina a testar a qualidade do produto oferecido no seu posto de confiança e como evitar problemas que podem ser causados por combustíveis de baixa qualidade ou adulterados.

Como é o diesel vendido no Brasil?

Existem dois tipos de diesel automotivo no mercado brasileiro, o S-10 e o S-500. Usado principalmente em veículos automotivos pesados, picapes e utilitários com tração 4×4, além de máquinas agrícolas, de construção e industriais, o diesel vendido em postos de abastecimento tem um alto rendimento energético quando comparado com gasolina e etanol, por exemplo, possibilitando um bom desempenho e baixo consumo. Embora esta eficiência tenha menor emissão de dióxido de carbono (CO2) do que a gasolina, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) definiu algumas medidas para reduzir ainda mais os índices de poluentes. A principal delas foi a redução do nível de enxofre no diesel. Essa medida deu origem ao diesel S-10, comercializado no Brasil desde 2012.

Outra inciativa foi a adição de uma porcentagem obrigatória de biodiesel, combustível renovável produzido a partir de um óleo vegetal ou gordura animal, ao diesel de petróleo. Desde março de 2020, esse percentual passou a 12%, tendo incremento de 1% ao ano até atingirmos a porcentagem de 15% em 2023.

Diesel S-10

O diesel S-10 recebe este nome pois possui até 10 partes por milhão de enxofre, ou seja, 0,001%. O baixo teor de enxofre é obrigatório para os veículos com motores mais modernos fabricados a partir de 2012 e que atendem a fase P7 do Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores). Essa característica confere ao diesel S-10 menor emissão de gases poluentes e conseqüentemente menos danos à saúde e ao meio ambiente.

Além de baixo teor de enxofre, o diesel S-10 possui também uma faixa de massa específica mais estreita e maior número de cetano, o que proporciona menor emissão de fumaça, uma combustão mais eficiente e melhor partida a frio.

Segundo Lassen, “o diesel S-10 comercializado no Brasil tem excelente qualidade e características bem similares ao combustível vendido na Europa e Estados Unidos”. Sua coloração varia do incolor ao amarelado, podendo alterar para marrom e alaranjado conforme a coloração do biodiesel.

Diesel S-500

Levando em consideração a capacidade de produção de combustíveis e a frota brasileira em circulação, ainda possuímos no portfólio um diesel de teor de enxofre mais elevado. O S-500 possui até 500 partes por milhão de enxofre, ou seja, 0,05%. O problema do enxofre é que, na combustão do diesel dentro dos motores, ele reage com o oxigênio gerando óxidos de enxofre, compostos estes nocivos à saúde e ao meio ambiente.

Além da coloração vermelha, o diesel S-500 possui menor numero de cetano e faixa mais ampla de massa especifica quando comparado ao S-10, o que lhe confere maior emissão de fumaça preta e material particulado nos gases de escape. Desta forma, se um veículo produzido a partir de 2012 for abastecido com diesel S-500, isso pode ocasionar entupimento precoce dos filtros de particulado do sistema de pós-tratamento e danos ao catalisador. “Além disso, abastecer com o tipo inadequado de diesel pode causar falha no gerenciamento eletrônico do motor e conseqüente dano do sistema. Sem contar que essa prática também se caracteriza como crime ambiental, cujas multas aplicadas são muito mais pesadas e severas, podendo até ocasionar a prisão do infrator”, alerta Lassen.

Diesel aditivado

O uso de diesel aditivado pode prolongar a vida útil do combustível mitigando seu envelhecimento e lhe proporcionando qualidade superior. Além da redução da emissão de poluentes, o diesel aditivado promove a limpeza de resíduos provenientes da carbonização no processo de combustão, promovendo maior desempenho do motor. Estudos e testes feitos pela Raízen nas frotas de empresas parceiras mostram que a utilização do combustível aditivado reduz em até 3% o consumo de combustível.

“Além do diesel comum S-10 e S-500, os motoristas podem encontrar nos postos Shell suas versões aditivadas Shell Evolux. Indicados para todos os tipos de motores a diesel, a fórmula exclusiva contém aditivos de última geração que ajudam a manter o motor em excelentes condições internas, promovendo a limpeza de depósitos dos injetores, impedindo a formação de novos depósitos e melhorando a combustão”, afirma Lassen. A formulação exclusiva destes aditivos impede também a ferrugem nas peças do motor em contato com o combustível, protege o sistema de injeção contra a água, além de inibir a formação de espuma durante o abastecimento, facilitando o enchimento do tanque e reduzindo o tempo médio de abastecimento em cerca de 50%.

Sustentabilidade – a importância do biodiesel

Desde 2008, o diesel brasileiro passou a receber a adição obrigatória de biodiesel. Iniciou-se com um percentual de 2% chegando aos atuais 12%. Biodiesel é um combustível com características similares ao diesel fóssil, porém, feito a partir de óleos vegetais ou de gordura animal. “Ele é isento de enxofre, renovável e biodegradável, o que é bastante interessante em se tratando de meio ambiente”, explica Lassen. “Porém, possui algumas características que podem prejudicar a qualidade do produto final se não tomados os devidos cuidados”.

Problemas no motor? Pode ser o diesel

Um diesel de má qualidade pode gerar muitos transtornos, que vão desde a diminuição do intervalo de troca de filtros a problemas relacionados ao sistema de injeção, como bombas e bicos injetores. Tudo isso impacta diretamente em aumento de custos, ociosidade dos veículos ou máquinários e maiores gastos com manutenção. Queda no desempenho e aumento no consumo de diesel também podem estar relacionados à qualidade do combustível.

Uma característica do biodiesel é ser higroscópico, ou seja, ele absorve e retém umidade do meio ambiente, gerando acúmulo de água dentro dos tanques de armazenagem. Essa água facilita o desenvolvimento de microorganismos que decompõem o produto e são responsáveis pelo aparecimento de borras, que causam entupimento precoce dos filtros.

“Na Raízen, indicamos aos nossos clientes que intensifiquem as boas práticas de verificação e drenagem periódicas nos fundos de tanques dos postos para completa remoção de possível presença de água e borra, garantindo a qualidade do produto. Importante que os motoristas também façam esta checagem nos tanques dos veículos que ficaram parados por longos períodos”, aponta Lassen. Uma segunda indicação é avaliar se o conjunto de elementos filtrantes está adequado e dimensionado às exigências tecnológicas dos motores e também para o percentual de biodiesel exigido. “O diesel deve ser claro, transparente. A presença de água em excesso afeta o aspecto, tornando-o turvo. Se o excesso de água não for retirado, ele pode ser bombeado para o sistema do motor e danificá-lo”, alerta.

Testando a qualidade do diesel

Todo diesel comercializado deve vir acompanhado de um certificado de qualidade, conforme determinação da ANP e as próprias bombas de abastecimento dão indícios de uma possível adulteração nos combustíveis. De acordo com Lassen, “todas devem estar lacradas e com informações exigidas pela ANP, que inclui CNPJ e endereço do posto, além do selo do Inmetro”.

Na hora do abastecimento, uma vantagem do diesel é que a maioria dos problemas relacionados à qualidade interfere na sua aparência visual. Envelhecimento e decomposição do produto, presença de água e problemas com o biodiesel normalmente geram escurecimento e/ou turbidez, o que já pode ser considerado um indicativo de problemas. Portanto, é importante que o motorista faça uma avaliação visual do combustível. O produto deve estar límpido e isento de impurezas. A escolha de um posto de confiança também é importante.

Sobre a Raízen

Somos a Raízen – uma empresa integrada de energia referência em biocombustíveis. Atuamos em toda a cadeia produtiva da cana, até comercialização, logística e distribuição de combustíveis. Nossa energia é essencial para mobilizar pessoas e potencializar negócios, por isso, além de entregar a energia que o mercado precisa hoje, investimos em soluções que contribuam para a agenda global de transição energética de forma gradual e sustentável.