Artigo: Boa notícia, o vírus não é o fim

Por: Thales Aguiar*

Caros leitores, leio diuturnamente em redes sociais e até em certos jornais tradicionais do nosso país sobre as inúmeras discussões catastróficas e apocalípticas a respeito da atual pandemia e percebo que cada dia mais o ser humano tem se perdido em suas conclusões. É claro que jamais irei fazer apologia para os desajuizados que esperam que seus negócios voltem à normalidade nesse momento de reclusão social e de alta probabilidade de contágio da doença no nosso país. Consequentemente, os vírus sempre existiram e vão continuar existindo. Os vírus são mutantes e vão continuar sendo oscilantes. Graças à ciência e a inteligência humana é que nos tempos atuais o ser humano obteve uma projeção de vida mais avançada por conta das vacinas que são criadas em laboratório e que imunizam as pessoas. Em um pouco mais de um século, por volta de 1900 à expectativa de vida era de apenas 33,7 anos. Nos tempos modernos essa sobrevida do homem/mulher ainda é uma novidade na história da humanidade.  De fato é tempo de crise e o mundo está vivenciando mais uma pandemia que racionalmente não deverá ser a última também.

Devemos sim, nos orientarmos através dos estudiosos da medicina e das novas tecnologias que possam sanar essa situação o mais rápido possível. É perceptível que todos nós estamos com medo. Medo de adoecer, de morrer, de perder pessoas queridas e medo das condições econômicas que possivelmente em um futuro próximo venhamos a enfrentar. Somos humanos e é da mesma forma é que tememos o que desconhecemos. Apesar disso, devemos viver um dia de cada vez, como contava a poetiza Clarice Lispector “Um dia de cada vez, que é pra não perder as boas surpresas da vida”. Toda neurose se enfrenta com coragem, coragem de admitir que somos receosos em certas circunstâncias. O medo não pode ser paralisante. Do contrário, é momento de reflexões para novas oportunidades e saídas. Reforçar o amor pela vida, exercitarmos a fraternidade pelo próximo e respeitar cada vez mais o ambiente que nos cerca. Plena segurança é algo inexistente.  E a vida estendida é algo do acaso, você não escolhe viver quanto tempo assim o quer. Sejamos sábios em lhe dar com a morte, ela é uma velha conhecida que a qualquer momento pode nos convidar para sua festa.

Em meio a tanta confusão política e brigas de poder, sejamos partícipes de um novo sistema que fortaleça toda sociedade. Que ampliemos a capacidade de entender as pessoas com respeito e humildade. E que tenhamos a liberdade para sermos melhores em qualquer situação que possamos passar. Respeitemos o nosso momento de isolamento social até porque a prisão é uma construção do pensamento. Assim dizia (Mahatma Gandhi) “A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência.”

*Thales Aguiar é Jornalista e escritor