Artigo: É preciso dar um basta

Por: Caio Forcel*

Muito frequente são as reclamações dos munícipes sobre as obras paradas ou então aquelas que acontecem a conta gotas. O alvo das críticas sempre é o prefeito, seja ele quem for, nunca consegue dar resposta didática as indagações. Mas ele, o chefe do executivo municipal, não é o culpado, ao menos não é o único culpado.

Processos públicos em suma são morosos – um processo que corre na justiça, uma lei a ser votada na Câmara ou então uma licitação de obra. Isso já é o bastante para irritar qualquer um. Mas além disso também tem as empreiteiras que quase sempre são ineficientes seja do ponto de vista técnico quanto financeiro para tocar obras complexas como costumam ser as públicas.

Um terceiro fator, esse razão pela qual escrevo, é o descomprometimento dos governos estadual e federal em repassar os recursos necessários para o andamento das obras. Aliás, obras essas sempre prometidas em campanhas eleitorais. Em Taquaritinga são inúmeras que se arrastam do governo Delgado, passando pelo Fulvio Zuppani e dando dor de cabeça ao Vanderlei Mársico.

Um exemplo trágico é o glorioso Cine São Pedro. O prédio foi adquirido e pago integralmente no governo Paulinho Delgado, que também mandou confeccionar um projeto arquitetônico de reforma e deixou para Dr. Fulvio Zuppani a captação do recurso (algo próximo dos R$ 7 milhões) junto às esferas estadual e federal. Dimas Ramalho, de saída da Câmara dos Deputados, empenhou R$ 3 milhões, valor esse cortado pela metade pelo Ministério da Cultura. Assinado o convênio, realizado o trâmite licitatório, inicia-se a obra. É 2014, ano eleitoral, e os repasses são praticamente paralisados. No ano seguinte, crise, governo federal fecha as torneiras e a obra capenga. No ano de eleição municipal, 2016, acontece o impeachment de Dilma Rousseff e aí tudo para, inclusive a obra.

Vanderlei Mársico, ainda candidato, discursa que tem condições de resolver esse e tantos outros problemas. Se esforça. Mas volta a mesma estaca: o maldito governo central, detentor de quase tudo que se arrecada, não cumpre os convênios, demora a repassar as verbas e as empreiteiras não conseguem finalizar ou iniciar as obras cujo os recursos estão garantidos no orçamento.

A cidade fica prejudicada com isso. O Jardim São Sebastião já era para ter um novo velório municipal em razão da emenda parlamentar do deputado Welson Gasparini. A Avenida Francisco Jodas Martins, no Jardim Ribeirãozinho, já poderia estar com asfalto novo, graças a outra emenda da deputada Beth Sahão. Mas o governo Alckmim/França/Dória simplesmente ignoraram.

Nesta semana, após a cidade ser preterida na escolha para instalação do Batalhão de Ações Especiais da Polícia, o BAEP, a Câmara Municipal de Ribeirão Preto revidou e aprovou uma moção de repúdio ao governador João Dória. Afinal, ele havia dito que Ribeirão seria uma das primeiras cidades a ser contemplada pelo sistema. Dória tentou se explicar mas já era tarde.

Falta, portanto, reações organizadas por parte dos políticos taquaritinguenses ao descaso com que governadores, ministros e presidentes tratam Taquaritinga, nossas demandas, obras e recursos. Temos mais de uma centena de políticos entre prefeito, vice, vereadores, ex-prefeitos, ex-vereadores, dirigentes partidários que ligeiramente poderiam se unir para dar um basta a esta postura cruel com que temos sido vítimas.

*Caio Forcel é presidente do PDT de Taquaritinga