quinta-feira, 25 junho, 2026

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Nossa Palavra – Não basta lembrar, saúde mental precisa sair do discurso e entrar no orçamento

No Dia Mundial da Saúde Mental, é tempo de cobrar menos promessas e exigir mais estrutura. Porque cuidar da mente não pode continuar sendo luxo.

10 de outubro é o Dia Mundial da Saúde Mental. Data simbólica, necessária e, infelizmente, ainda tratada com superficialidade. Todos os anos, multiplicam-se campanhas, postagens e discursos de apoio à causa. Fala-se sobre empatia, acolhimento, respeito e prevenção. Mas, quando o assunto deixa as redes sociais e chega às políticas públicas, o silêncio ainda é ensurdecedor. Saúde mental não se mantém com palavras bonitas — precisa de investimento, estrutura e prioridade orçamentária.

O Brasil vive uma crise silenciosa. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, mais de 18 milhões de brasileiros convivem com algum tipo de transtorno de ansiedade, e quase 12 milhões enfrentam quadros de depressão. Esses números não são apenas estatísticas: representam vidas que lutam diariamente para resistir, muitas vezes sem acesso a atendimento adequado, sem profissionais suficientes e sem políticas de prevenção.

Nos municípios, a situação é ainda mais grave. CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) sobrecarregados, ausência de profissionais especializados, filas intermináveis e carência de medicamentos são a realidade de muitas cidades brasileiras. Enquanto isso, prefeitos, secretários e gestores públicos insistem em repetir o discurso da “importância da saúde mental” sem, de fato, colocar o tema no orçamento anual. A verdade é dura: onde não há recursos, não há política pública — e onde não há política, o sofrimento se multiplica.

Cuidar da saúde mental é cuidar da dignidade humana. No entanto, o tema continua preso a tabus e preconceitos. Quantas pessoas ainda têm medo de buscar ajuda por receio de serem julgadas ou rotuladas? Quantos trabalhadores adoecem em silêncio, pressionados por metas inalcançáveis, jornadas exaustivas e ambientes tóxicos? Quantos jovens, sobrecarregados por cobranças e incertezas, veem na autodestruição a única saída? Esses questionamentos não podem mais ser ignorados.

É hora de encarar a saúde mental como questão de política pública e não apenas como pauta de sensibilização. É hora de incluir o tema nas metas dos governos, nos planos de saúde municipais, nos programas escolares e nas campanhas permanentes de prevenção. A cada dia de omissão, vidas são perdidas — e não por falta de aviso, mas por falta de ação.

Outubro, que também é o mês do Outubro Rosa, reforça o quanto a prevenção salva vidas. Mas quando se trata da mente, a prevenção ainda engatinha. Não há campanhas massivas, não há exames preventivos, não há rastreamento precoce. A maioria dos atendimentos em saúde mental só acontece quando a crise já se instalou. E isso custa caro — ao paciente, à família e ao Estado.

O Jornal O Defensor acredita que falar de saúde mental é falar de cidadania. É exigir que o poder público inclua psicólogos nas escolas, amplie a rede de CAPS, garanta atendimento especializado nas unidades básicas e promova campanhas permanentes contra o estigma e o preconceito. Enquanto a saúde mental continuar fora do orçamento, continuará fora da realidade.

Hoje, 10 de outubro, o apelo é simples, mas urgente: não basta lembrar — é preciso agir. O sofrimento psíquico não espera o próximo mandato, nem o próximo reajuste orçamentário. Ele cobra respostas agora, e cobra de todos nós: governos, empresas, famílias e sociedade civil. Porque o cuidado começa no olhar, mas se consolida na ação.

Se queremos um futuro mais humano, é hora de entender que saúde mental não é gasto — é investimento em vidas, produtividade, empatia e esperança.