quarta-feira, 29 abril, 2026

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Nossa Palavra – Junho Verde, sustentabilidade além da cor, a responsabilidade compartilhada entre Município e cidadão

O mês de junho, que em muitas cidades brasileiras ganha tons esverdeados em campanhas de conscientização ambiental, precisa urgentemente deixar de ser apenas um símbolo para tornar-se prática cotidiana. O chamado “Junho Verde” é mais do que uma proposta educativa: é uma convocação. E, como toda convocação, exige responsabilidades claras — tanto do poder público quanto da população.

A responsabilidade do Município vai muito além de plantar árvores ou criar peças publicitárias. As prefeituras têm o dever legal e moral de liderar políticas públicas que promovam a sustentabilidade como eixo central do desenvolvimento urbano. Isso significa, por exemplo, implantar um sistema eficiente de coleta seletiva, investir em educação ambiental nas escolas, incentivar o uso de energias renováveis nos próprios prédios públicos, combater o descarte irregular de resíduos e proteger as áreas verdes remanescentes do município.

Infelizmente, na maioria das cidades brasileiras, ainda se vê uma grande distância entre o discurso ambiental e as ações práticas da gestão municipal. Junho Verde, muitas vezes, se resume a campanhas temporárias, enquanto os lixões a céu aberto continuam ativos, os cursos d’água seguem poluídos, a arborização urbana é negligenciada e os planos de mobilidade sustentável ficam no papel.

Mas é preciso ser honesto: a responsabilidade pela sustentabilidade urbana não repousa exclusivamente sobre os ombros das administrações municipais. O cidadão também tem um papel essencial, que não pode ser terceirizado. Separar corretamente o lixo, evitar o desperdício de água, consumir de forma consciente, preservar áreas públicas, denunciar crimes ambientais e participar de debates sobre o uso do solo e do orçamento municipal são atitudes indispensáveis para qualquer sociedade que queira se reconhecer como civilizada e comprometida com o futuro.

E aqui surge um paradoxo: muitos cobram ação do poder público, mas seguem praticando pequenos delitos ambientais no dia a dia, como jogar lixo em terrenos baldios, queimar resíduos no quintal, manter terrenos sujos, ou lavar calçadas com mangueiras. Sustentabilidade não é um tema para ser terceirizado. Ela começa na decisão individual, mas só se consolida na organização coletiva.

O Junho Verde deve ser, portanto, uma janela de reflexão e cobrança. A prefeitura precisa sair da zona de conforto e apresentar metas concretas com prazos definidos, ouvir a população, valorizar os conselhos ambientais, fiscalizar com rigor e investir onde importa. O cidadão, por sua vez, deve deixar de ser espectador e se tornar agente. Não há política ambiental eficaz sem participação comunitária.

Se quisermos realmente pintar o mês de junho de verde, que seja com o verde das atitudes, não apenas das campanhas. A cor só tem sentido quando associada à vida — e a vida, essa que pulsa nas árvores, nas águas e no ar que respiramos, depende da ação de todos. Passou da hora de sair do discurso e entrar na prática.

Porque o meio ambiente não espera. E o futuro também não.