quinta-feira, 2 abril, 2026

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Nossa Palavra – A cidade que queremos é a cidade que cuidamos

Ao percorrermos as ruas de nossa querida Taquaritinga nesta última semana de março de 2026, somos confrontados com um cenário de contrastes que exige uma reflexão profunda de cada cidadão e, primordialmente, de nossas lideranças. De um lado, vemos o pulsar de uma cidade que respira cultura e esporte, com o sucesso recente da 1ª Copa Benja de Futebol Base e o engajamento social em projetos como o “Além do Toque”. De outro, deparamo-nos com os desafios crônicos da zeladoria urbana, intensificados pelas chuvas típicas desta época do ano. A “Nossa Palavra” de hoje não busca apenas apontar falhas, mas convocar uma parceria inadiável: a união entre a eficiência do poder público e a consciência da população.

Uma cidade é um organismo vivo. Suas artérias são as ruas; seus pulmões, as praças; e seu coração, o povo que nela habita. Quando um desses elementos falha, todo o corpo adoece. A zeladoria urbana — que engloba a limpeza de bueiros, o corte de mato, a manutenção asfáltica e a iluminação — não é um “luxo” ou um favor da administração municipal; é o alicerce da saúde pública e da segurança. No entanto, é preciso coragem para admitir que o governo, sozinho, não consegue manter a “Cidade Pérola” brilhando se não houver um pacto de cuidado mútuo com quem nela reside.

Março é o mês das águas, e em 2026 não tem sido diferente. O volume de chuvas que recebemos é uma benção para o nosso agronegócio, mas um teste de fogo para a nossa infraestrutura. Bueiros entupidos por descarte irregular de lixo e terrenos baldios com mato alto tornam-se, rapidamente, criadouros para o Aedes aegypti. A luta contra a Dengue, a Zika e a Chikungunya é uma guerra de guerrilha que se vence no detalhe, no pratinho de vaso da varanda e na calçada limpa.

O Jornal O Defensor, fiel aos seus 43 anos de credibilidade, tem recebido demandas frequentes de diversos bairros sobre a necessidade de intensificação do mutirão de limpeza. É imperativo que a máquina pública opere com agilidade, mas é igualmente vital que o munícipe entenda que o sofá velho jogado no terreno ao lado ou a sacola de lixo colocada fora do horário da coleta são crimes contra a própria vizinhança. A zeladoria começa no portão de casa e se estende até a Praça Dr. Waldemar D’Ambrósio.

A aparência de uma cidade reflete o amor que seu povo tem por ela. Ruas bem iluminadas e praças conservadas não apenas inibem a criminalidade, mas elevam a autoestima da população. Uma cidade bem cuidada atrai investimentos, incentiva o comércio local — como a Benja e tantas outras lojas que acreditam em nosso potencial — e orgulha o jovem que nela cresce.

Neste sentido, a “Nossa Palavra” defende a criação de um cronograma de zeladoria mais transparente e participativo. A tecnologia hoje nos permite que o cidadão seja os olhos da prefeitura, reportando problemas em tempo real. Mas, além da tecnologia, precisamos de educação cívica. Precisamos retomar o orgulho de varrer a nossa frente, de não pichar o patrimônio público e de zelar pelos novos espaços que conquistamos, como a sede da Associart. O patrimônio público é, como o nome diz, de todos. E o que é de todos deve ser protegido por todos.

Este editorial reafirma o papel do Jornal O Defensor como o canal de interlocução entre o anseio da rua e o gabinete do gestor. Com o rosto limpo e nome assinado, continuaremos a cobrar que os impostos pagos pelo contribuinte taquaritinguense retornem em forma de serviços eficientes. Não aceitaremos a normalização do descaso, mas também não alimentaremos a crítica vazia que não propõe soluções.

Acreditamos em uma Taquaritinga onde o asfalto seja liso, onde a lâmpada do poste não fique queimada por semanas e onde o mato das guias não esconda a beleza de nossas calçadas. Mas acreditamos, acima de tudo, em um taquaritinguense que se sinta dono de sua cidade. A cidadania não se exerce apenas no voto a cada quatro anos; ela se exerce no descarte correto de uma pilha, na denúncia de um vazamento de água e no respeito ao espaço comum.

Encerrando esta edição, deixamos uma pergunta para a reflexão de cada leitor: o que eu fiz hoje por Taquaritinga? Se cada um de nós cuidar do seu pequeno pedaço, o todo se transformará. Que o poder público faça a sua parte com rigor e planejamento, e que nós, cidadãos, façamos a nossa com consciência e zelo.

Taquaritinga é grande por sua história e por sua gente. Que a nossa zeladoria urbana esteja à altura da dignidade do nosso povo. Que as águas de março levem a sujeira e a desordem, deixando para trás uma cidade renovada, limpa e pronta para os novos desafios que o outono trará.

Pela manutenção do nosso lar coletivo, pela transparência pública e pela consciência de cada cidadão.