Com foco em “Fraternidade e Moradia”, iniciativa da CNBB convoca sociedade a refletir sobre dignidade, solidariedade e políticas públicas
A Campanha da Fraternidade 2026 foi aberta oficialmente nesta Quarta-feira de Cinzas, 18, durante cerimônia realizada na sede da CNBB, em Brasília. Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), a iniciativa retoma o debate sobre a responsabilidade social diante da falta de condições dignas de habitação no país. A abertura marcou o início de um período de reflexão que busca unir fé, consciência social e ação prática.
Na cerimônia, foi lida uma mensagem enviada pelo Papa Leão XIV, na qual o Pontífice expressa o desejo de que a reflexão sobre a dura realidade da falta de moradias gere maior consciência sobre a necessidade da partilha. Segundo a mensagem, a precariedade habitacional não é apenas um problema estrutural, mas também humano e espiritual, exigindo sensibilidade e compromisso de toda a sociedade.

Logo após a leitura, o secretário-geral da CNBB, Dom Ricardo Hoepers, oficializou o início da campanha. Em sua fala, destacou que o lema deste ano remete ao cerne da fé cristã ao afirmar que “Deus não permaneceu distante”, mas fez da humanidade a sua casa. Para o bispo, essa compreensão torna a questão da moradia uma “urgência ética, social e espiritual”, reforçando que a dignidade humana deve orientar tanto a ação comunitária quanto as políticas públicas.
Dom Ricardo ressaltou ainda a dimensão concreta do problema. Segundo ele, o Brasil enfrenta uma crise habitacional que afeta 6,4 milhões de famílias, realidade que não pode ser reduzida a estatísticas. “São rostos, vidas marcadas pela insegurança, pela precariedade e pela exclusão”, afirmou. Para o secretário-geral, a sociedade não pode naturalizar que milhões de pessoas vivam sem teto ou que crianças cresçam em áreas de risco.
Em sua análise, Dom Ricardo reforçou que a Campanha da Fraternidade não desvia o sentido da Quaresma, mas explicita suas exigências, ao relembrar que a Doutrina Social da Igreja defende a destinação universal dos bens e a função social da propriedade. Ele destacou que a economia deve servir à vida e que o mercado não pode se sobrepor à dignidade humana. Nesse contexto, políticas públicas habitacionais não devem ser vistas como concessões, mas como deveres do Estado.
Ao encerrar sua fala, Dom Ricardo afirmou que a grave crise habitacional deve mobilizar toda a sociedade. A Campanha da Fraternidade 2026, segundo ele, pretende “suscitar diálogo, mobilização e compromisso”, além de fortalecer iniciativas existentes, inspirar políticas eficazes e despertar consciência para que a moradia digna seja reconhecida como direito e não privilégio.



