Por: Rodrigo Panichelli*
Neymar vai à Copa ou não vai? Eis a pergunta que vai nos acompanhar até 2026. E, como sempre no Brasil, a resposta dependerá muito menos de critérios técnicos do que de paixões, simpatias ou antipatias.
Há os que não querem Neymar por conta do seu posicionamento político. Outros, porque não suportam suas atitudes fora das quatro linhas. Há ainda os que conviveram com ele de perto, sabem o que ele pode entregar, e por isso defendem sua presença – mas esses são tratados como suspeitos, como se fossem parte de uma seita secreta. E, claro, existem os apaixonados, os que perdem o senso crítico e elevam Neymar a um patamar de fanatismo que não ajuda em nada o debate.
O fato é que, até a convocação final, viveremos uma novela. Talvez igual à de Ronaldo Fenômeno em 2002, quando quase ninguém acreditava por conta das lesões, mas que acabou sendo decisivo para o penta. Ou, quem sabe, como Romário naquele mesmo 2002: idolatrado, amado, pedido por todos, mas deixado no Brasil por Felipão, que bateu no peito e disse “não”.
Neymar é talento raro, isso não se discute. Mas também é personagem que divide opiniões como poucos. Minha opinião? Se estiver bem fisicamente, tem que ir. Não porque seja salvador, não porque vá carregar a Seleção sozinho. Mas porque ainda tem futebol para jogar em alto nível, e porque precisa passar o bastão de vez.
Sem ele, a Seleção perde um craque. Com ele, ganha a chance de transição. E, até lá, seguiremos vivendo essa típica novela brasileira, com todos os capítulos de drama, paixão, ironia e, claro, polêmica.
*Rodrigo Panicgelli é colaborador d’O Defensor.



