O Brasil conseguiu de novo. É o pais da piada pronta e ponto final!
Por: Rodrigo Panichelli*
Em um evento que deveria celebrar o futebol e promover o intercâmbio de ideias, o 2º Fórum Brasileiro de Treinadores acabou virando palco de mais um espetáculo de constrangimento e retrocesso. Tudo isso diante de Carlo Ancelotti, um dos maiores técnicos da história do futebol mundial — cinco vezes campeão da Champions League, multicampeão em quatro países diferentes e, hoje, treinador da seleção brasileira.
Enquanto o italiano falava sobre respeito, aprendizado e evolução, dois veteranos da velha guarda — Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira — acharam que era o momento perfeito para demonstrar o pior da mentalidade que ainda sabota o futebol brasileiro. Leão disse que “nunca gostou de estrangeiros no Brasil”. Oswaldo completou, com ironia, que “quando Ancelotti for embora campeão, que venha um brasileiro”. O problema não foi opinião. Foi o momento e o tom — porque aquilo não foi debate técnico, foi grosseria gratuita.
Ancelotti, com a elegância de quem tem 40 títulos na carreira e sabe que não precisa provar nada, apenas sorriu. Mas o desconforto foi visível. A cena se espalhou pelas redes, e até a Federação Brasileira de Treinadores emitiu nota de repúdio, chamando o episódio de “vexame”. Vexame mesmo — e dos grandes.
O pior é que Leão e Oswaldo não são exceções: representam uma mentalidade que ainda acredita que o mundo gira em torno do nosso umbigo. O futebol evoluiu, os métodos mudaram, a preparação é outra. Mas parte dos técnicos brasileiros segue presa à nostalgia dos anos 90, como se o fato de já terem trabalhado em grandes clubes os tornasse donos da verdade.
A verdade é uma só: o Brasil parou no tempo. Ficou olhando o retrovisor enquanto o resto do mundo acelerou. E quando finalmente tenta aprender com alguém que está à frente — como Ancelotti — ainda o constrange em público. É o retrato perfeito do que explica porque somos, há mais de 20 anos, coadjuvantes no futebol mundial.
O constrangimento com Ancelotti não foi só dele. Foi nosso. De todo um país que, em vez de aprender, ainda prefere se apegar ao ego.



