Por: Rodrigo Panichelli*
O novo Mundial de Clubes da FIFA, tratado como “Copa do Mundo dos times”, está chegando ao fim. No próximo domingo, veremos PSG x Chelsea decidindo o título em solo norte-americano, numa final digna do futebol que se joga por lá — globalizado, milionário, midiático.
Mas e os brasileiros? Não foi vergonha. Mas também não foi glória.
O Fluminense, semifinalista, talvez tenha superado expectativas e pode se orgulhar de figurar como o quarto melhor clube do mundo nesta edição — ainda que essa colocação seja simbólica. Fez jogo duro, jogou bola, encarou com dignidade. Perdeu, como se perde para os grandes, mas saiu aplaudido.
Botafogo, por outro lado, seguiu o roteiro nacional de sempre: uma derrota, um técnico demitido. Renato Paiva virou estatística antes mesmo da tinta da credencial do Mundial secar. Porque aqui, no Brasil, técnico é culpado antes do apito final.
Flamengo e Palmeiras, com seus elencos caros, recheados de estrangeiros e contratações badaladas, tentaram medir forças. Perderam. Lutaram. Mas não chegaram. Ainda falta. Falta intensidade, falta consistência, falta padrão tático — e sobra improviso e vaidade.
Claro, não fomos atropelados. O tal “papelão” que muitos previram não veio. Mas também não jogamos muito além do que já se vê por aqui. Com raras exceções, o futebol brasileiro ainda pratica um jogo baseado em lampejos de talento e não em construção coletiva. Isso, contra europeus, não sustenta 90 minutos de futebol competitivo.
O que vimos neste Mundial é uma constatação incômoda: estamos atrás. Não tecnicamente, porque temos jogadores. Mas organizacionalmente. Estruturalmente. E talvez, culturalmente.
Enquanto não tratarmos o futebol com seriedade de projeto — e não de palpite — seguiremos celebrando participações.
Copo meio cheio: o Fluminense mostrou dignidade.
Copo meio vazio: não temos um time sequer na final.
Fica a reflexão.



