quarta-feira, 24 junho, 2026

spot_img

TOP 5 DESTA SEMANA

Notícias Relacionadas

Jogando Limpo – Brasileiros no Mundial: copo meio cheio ou meio vazio?

Por: Rodrigo Panichelli*

O novo Mundial de Clubes da FIFA, tratado como “Copa do Mundo dos times”, está chegando ao fim. No próximo domingo, veremos PSG x Chelsea decidindo o título em solo norte-americano, numa final digna do futebol que se joga por lá — globalizado, milionário, midiático.

Mas e os brasileiros? Não foi vergonha. Mas também não foi glória.

O Fluminense, semifinalista, talvez tenha superado expectativas e pode se orgulhar de figurar como o quarto melhor clube do mundo nesta edição — ainda que essa colocação seja simbólica. Fez jogo duro, jogou bola, encarou com dignidade. Perdeu, como se perde para os grandes, mas saiu aplaudido.

Botafogo, por outro lado, seguiu o roteiro nacional de sempre: uma derrota, um técnico demitido. Renato Paiva virou estatística antes mesmo da tinta da credencial do Mundial secar. Porque aqui, no Brasil, técnico é culpado antes do apito final.

Flamengo e Palmeiras, com seus elencos caros, recheados de estrangeiros e contratações badaladas, tentaram medir forças. Perderam. Lutaram. Mas não chegaram. Ainda falta. Falta intensidade, falta consistência, falta padrão tático — e sobra improviso e vaidade.

Claro, não fomos atropelados. O tal “papelão” que muitos previram não veio. Mas também não jogamos muito além do que já se vê por aqui. Com raras exceções, o futebol brasileiro ainda pratica um jogo baseado em lampejos de talento e não em construção coletiva. Isso, contra europeus, não sustenta 90 minutos de futebol competitivo.

O que vimos neste Mundial é uma constatação incômoda: estamos atrás. Não tecnicamente, porque temos jogadores. Mas organizacionalmente. Estruturalmente. E talvez, culturalmente.

Enquanto não tratarmos o futebol com seriedade de projeto — e não de palpite — seguiremos celebrando participações.

Copo meio cheio: o Fluminense mostrou dignidade.

Copo meio vazio: não temos um time sequer na final.

Fica a reflexão.

*Rodrigo Panichelli é colaborador d’O Defensor.