Evento reunirá especialistas, lideranças e sociedade civil para ampliar a conscientização e fortalecer ações de enfrentamento à violência contra as mulheres
A Câmara Municipal de São Carlos realizará no próximo dia 30 de março, às 18 horas, no Teatro Municipal de São Carlos, uma audiência pública dedicada ao debate sobre feminicídio e violência doméstica. A iniciativa busca ampliar a conscientização da sociedade e fortalecer estratégias de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres. O encontro também será transmitido ao vivo pelos canais oficiais do Legislativo, permitindo que a população acompanhe as discussões de forma remota.
A audiência pública é uma iniciativa dos vereadores Lineu Navarro e Lucão Fernandes, que propõem a mobilização de diferentes setores da sociedade para discutir o problema e construir caminhos para enfrentá-lo. Segundo os organizadores, a proposta é reunir lideranças religiosas, educadores das redes municipal, estadual e privada, sindicatos, associações e representantes da sociedade civil, promovendo um espaço de diálogo voltado à construção de políticas e ações de conscientização.
De acordo com o presidente da Câmara, Lucão Fernandes, o enfrentamento da violência contra a mulher exige participação coletiva e debate permanente. Ele destaca que a violência doméstica pode se manifestar de diferentes formas, não se restringindo à agressão física. “A violência doméstica não começa no tapa. Ela pode surgir de formas psicológicas, morais e patrimoniais. Precisamos enfrentar esse problema com informação e conscientização”, afirmou.
A programação contará com a participação de especialistas convidados para conduzir as discussões. Entre os palestrantes confirmados estão Dimas Ramalho, vice-presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, e o juiz Paulo César Scanavez, magistrado com mais de 30 anos de atuação no Tribunal de Justiça de São Paulo e professor da Escola Superior da Advocacia (ESA) em São Carlos.
O debate ocorre em um momento considerado preocupante em relação aos índices de violência contra mulheres no país. Dados recentes indicam que o Brasil registrou 1.568 casos de feminicídio em 2025, o maior número desde o início da série histórica. Além disso, estudos apontam que oito em cada dez mulheres assassinadas são vítimas de companheiros ou ex-companheiros, muitas vezes dentro da própria residência.
Na região, o cenário também preocupa. Informações divulgadas pelos organizadores indicam que sete casos de feminicídio já foram registrados neste ano, reforçando a necessidade de ampliar iniciativas de prevenção, orientação e acolhimento às vítimas.
Diante desse contexto, a audiência pública pretende atuar como um ponto de mobilização social, estimulando a participação de escolas, instituições religiosas, entidades e organizações da sociedade civil no desenvolvimento de ações voltadas à promoção de uma cultura de respeito, proteção e igualdade de gênero.
Além de discutir dados e experiências, o encontro também busca fortalecer a rede de proteção às mulheres, incentivando a disseminação de informações sobre mecanismos de denúncia, políticas públicas e estratégias de prevenção à violência doméstica.



