Superintendente Mariana Marsico faz balanço da gestão, detalha resultados financeiros, modernização de processos e destaca fortalecimento da governança com eleição dos colegiados
O Instituto de Previdência do Município de Taquaritinga (Ipremt) encerrou o primeiro ano da atual gestão enfrentando desafios estruturais históricos e, ao mesmo tempo, consolidando avanços relevantes nas áreas financeira, administrativa e previdenciária. Em entrevista ao Jornal O Defensor, a superintendente Mariana Marsico apresentou um balanço detalhado do período, abordando desde a recuperação do caixa até a modernização de processos, além de explicar o papel estratégico da recente eleição dos colegiados do Instituto.
Logo no início da gestão, o Ipremt se deparou com um cenário considerado crítico. Segundo Mariana, o Instituto iniciou o ano com um caixa em torno de R$ 5 milhões, valor considerado baixo diante das obrigações mensais com aposentadorias e pensões. Diante desse contexto, a equipe concentrou esforços na ampliação das compensações previdenciárias, mecanismo que permitiu recuperar recursos junto a outros regimes de previdência. Como resultado, o caixa praticamente dobrou ao longo do ano, garantindo maior fôlego financeiro.
Além disso, uma das primeiras medidas adotadas foi a contratação de peritos médicos, o que possibilitou a eliminação de uma fila histórica de perícias que aguardavam análise. De acordo com a superintendente, havia processos parados há anos, o que gerava insegurança e atrasos na concessão de benefícios. Com a reorganização, a fila de perícias médicas foi totalmente zerada, e o Instituto já se prepara para iniciar as avaliações relacionadas às atividades especiais, fundamentais para aposentadorias diferenciadas.
Esse avanço, no entanto, exigiu articulação com o Poder Executivo. Isso porque a contratação dos profissionais depende de convênio entre a Prefeitura e o Instituto. Após ajustes administrativos, a expectativa é evitar novas filas e garantir agilidade, segurança jurídica e previsibilidade aos segurados. Nesse sentido, Mariana destaca que processos represados representam não apenas atraso, mas também risco institucional.
Outro ponto enfatizado foi o volume de trabalho enfrentado pela equipe. Atualmente, o Ipremt atende quase mil aposentados, com um quadro reduzido de apenas seis servidores concursados. Mesmo assim, a gestão conseguiu destravar processos de aposentadoria, regularizar análises pendentes e manter o pagamento dos benefícios mensalmente. Segundo a superintendente, isso só foi possível graças ao empenho técnico da equipe e ao apoio dos conselhos do Instituto.
No campo financeiro, os resultados também chamaram atenção. Relatórios da assessoria de investimentos apontaram uma rentabilidade acima da média, superando com folga a previsão inicial. Enquanto a expectativa girava em torno de 7,56%, o retorno ultrapassou 10% no período. Para Mariana, esse desempenho demonstra que, mesmo com recursos limitados, uma gestão técnica e cautelosa pode gerar resultados expressivos.
Entretanto, a superintendente não deixou de abordar um dos temas mais sensíveis da previdência municipal, os atrasos nos repasses da Prefeitura. Embora reconheça as dificuldades enfrentadas pelo Executivo, ela reforça que o repasse em dia é uma obrigação legal. Ainda assim, destaca como positivo o fato de que os pagamentos vêm sendo realizados, mesmo com atrasos, sem a necessidade de utilização dos recursos do Certificado de Aporte. Esse equilíbrio, segundo ela, foi essencial para manter a regularidade dos benefícios.
A entrevista também abordou a eleição dos colegiados do Ipremt, realizada dentro do ciclo legal de quatro anos. O processo definiu os membros do Conselho Deliberativo, Conselho Fiscal e Comitê de Investimentos, estruturas responsáveis pelas decisões estratégicas do Instituto. Conforme explicou Mariana, a legislação atual ampliou a participação dos aposentados, passando de três para cinco representantes indicados, fortalecendo a representatividade e a democracia interna.
Ao todo, foram computados 319 votos, com destaque para a servidora Maura Tiezi, a mais votada, seguida por outros candidatos que agora integram o conselho. Segundo a superintendente, a ampliação da participação não é apenas formal, mas necessária para garantir transparência, controle social e decisões mais qualificadas.
Outro avanço destacado foi o incentivo à capacitação dos conselheiros. O Ipremt abriu espaço para que os membros buscassem certificações exigidas pelo Ministério da Previdência. Mariana ressaltou que decisões técnicas exigem conhecimento aprofundado, e que a certificação fortalece a autonomia e a responsabilidade dos colegiados. Atualmente, o desafio é ampliar esse número de certificados ao longo do próximo ano.
Para 2026, as metas são ambiciosas. A principal, segundo a superintendente, é garantir o pagamento das aposentadorias e pensões na data correta, com o objetivo de, futuramente, alinhar o pagamento dos inativos ao calendário dos servidores ativos. Além disso, estão em andamento tratativas para regularização de parcelamentos da dívida da Prefeitura com o Instituto, amparadas por dispositivos legais recentes.
Entre as alternativas estudadas, está a venda de terrenos pertencentes ao município para amortização da dívida previdenciária. Essa medida, se concretizada, pode ampliar significativamente o caixa do Ipremt e permitir maior estabilidade financeira no médio prazo. Mariana avalia que o ano corrente tende a ser ainda mais positivo, desde que haja continuidade no diálogo institucional.
Ao final, a superintendente deixou uma mensagem direta aos servidores ativos, aposentados e pensionistas. Reafirmou o compromisso com a transparência, o respeito aos direitos previdenciários e a construção coletiva de um Instituto mais forte. Segundo ela, o Ipremt está aberto à população e disposto a prestar contas de forma clara, entendendo que a confiança é um dos pilares da previdência pública.



