terça-feira, 26 maio, 2026

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Distimia: Quando o mau humor ultrapassa a personalidade e adoece o ambiente

Desânimo constante, irritabilidade e negatividade persistente podem ser sinais de uma condição silenciosa, confundida com mau humor habitual, mas que exige atenção clínica

Conviver com alguém que está sempre de mau humor pode ser mais difícil do que parece. Contudo, o que muitos ignoram é que esse comportamento, por vezes rotulado como traço de personalidade, pode esconder um transtorno crônico conhecido como Distimia, ou Transtorno Depressivo Persistente.

De acordo com a psicanalista Andrea Ladislau, a Distimia não apenas compromete o bem-estar de quem sofre com ela, mas afeta também todos ao redor. Isso ocorre por causa dos neurônios-espelho, estruturas cerebrais responsáveis por refletir as emoções do outro, mesmo de forma inconsciente. Por isso, o mau humor pode, sim, ser contagioso.

Além disso, o ambiente social e familiar tem papel determinante no agravamento ou no alívio desses sintomas. Pessoas que vivem cercadas de críticas, reclamações constantes e negatividade generalizada, acabam desenvolvendo uma resistência emocional. Porém, essa exposição diária consome energia, exige autocontrole e pode comprometer o equilíbrio mental.

A Distimia, segundo o DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), é uma forma leve, porém contínua de depressão. Diferentemente de episódios depressivos graves, ela se instala de forma sutil e silenciosa. Por isso, muitos diagnosticados passam anos acumulando rótulos como “mal-humorados”, “difíceis”, “antissociais”.

Os sintomas, contudo, não se resumem à irritação. Envolvem baixa autoestima, negatividade persistente, dificuldade de concentração, tendência ao isolamento, alteração no apetite, sono desregulado e abuso de substâncias como álcool, cigarro e tranquilizantes.

Por causa da longa duração dos sintomas — geralmente dois anos ou mais — o quadro muitas vezes é subestimado. Contudo, quando não tratado, compromete as relações, o desempenho no trabalho e a própria qualidade de vida.

O tratamento, felizmente, é possível e eficaz. Envolve uma abordagem multidisciplinar, com psicoterapia e, quando necessário, medicação psiquiátrica. A resposta costuma ser positiva, principalmente quando o diagnóstico é precoce e o paciente conta com rede de apoio.

A psicanalista ressalta que, assim como o mau humor é contagioso, o bom humor também pode ser espalhado. Por isso, cultivar ambientes positivos, priorizar o autocuidado e buscar ajuda ao menor sinal de sofrimento emocional, são atitudes que fazem diferença.

Em suma, é essencial romper com o preconceito de que mau humor é apenas um traço pessoal. Muitas vezes, é o sintoma de um transtorno mais profundo, que pode ser tratado com informação, empatia e assistência profissional.