Por: Sérgio Sant’Anna*
Início deste ano. Cheguei para as primeiras reuniões em um dos colégios que sou professor de Redação e a coordenadora foi logo me recepcionando: “A palavra do ano de 2024 em Oxford foi cérebro podre/apodrecido”. Isso me disse muito. Seria tema de Redação ENEM (passados meses, descobrimos que os idosos foram o assunto discutido), isso somado aos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que apontavam para o crescimento do número de analfabetos funcionais no Brasil – 29%. Dói. Afeta a alma ao sairmos da bolha e pensarmos que milhares de brasileiros não almejam mais pensar. E para agravar esses índices, somos uma Nação, pela primeira vez na história, que o número de não-leitores superou o número de leitores. Estamos muito mal. Os cérebros apodreceram. O mundo dos zumbis das séries estadunidenses, concretizou-se. Eles estão entre nós (ou será que nós estamos entre eles?). É a primeira vez que o Quociente de Inteligência (QI) dos filhos é menor do que de seus pais. A situação é complexa, contudo faz-se necessário continuar a lutar contra este desmando.
Nas escolas e colégios as leituras trimestrais ou bimestrais continuam sendo exigidas, ganhando corpo, principalmente, entre os professores que são ativos leitores. São milhões de jovens lendo. Alguns mais, outros menos, mas leem. Posso testemunhar isso através dos meus alunos, muitos ávidos pelos clássicos. Neste último trimestre cuja leitura e escolha de livros foi aberta tive discentes que me surpreenderam com: “Crime e castigo”, “O alienista”, “O jogador”, “O médico e o monstro”, isso retratando um universo de alunos do 6º ano ao 9ºano.
No regime prisional o projeto, “Remição pela leitura”, Lei de Execução Penal (LEP) traz para a redução das “canas” dos encarcerados a leitura como um diminuidor desse tempo de prisão. Obras como: “1984”, “A revolução dos bichos”, “Guerra e paz”, “A pedra do reino”, “Capitães da areia”, “Não verás país nenhum” são a invocação do ato de ler.
Embora tenhamos o empenho de diversas áreas pela leitura, uma política de estímulo à leitura deveria surgir do poder estatal. Ainda acredito na doação de livros e o instigar ao estudo para se evitar a evasão escolar. E tem que se acreditar, pois este é um trabalho de “formiguinha”. Não é notado e é lento. Acreditemos! Os livros salvam! Escrever não dá dinheiro.
*Sérgio Sant’Anna é Professor de Redação no Poliedro, Professor de Literatura no Colégio Adventista e Professor de Língua Portuguesa no Anglo.
**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.



