Em entrevista à Rádio Massa FM, vice-prefeito detalha episódios de tensão, dificuldades de diálogo com o prefeito e situações que considera desrespeitosas dentro da Prefeitura de Taquaritinga
O vice-prefeito de Taquaritinga, Roberto Palomino, abriu publicamente seu posicionamento sobre a crise administrativa no Paço Municipal durante entrevista concedida nesta sexta-feira, 6 de fevereiro, ao radialista Auro Ferreira, na Rádio Massa FM. Em um relato amplo e direto, Palomino afirmou que, ao longo de mais de um ano de mandato, se viu afastado das decisões, sem acesso a informações essenciais e, em diversos momentos, desrespeitado por integrantes da gestão, incluindo o próprio prefeito.
Durante o diálogo, o vice-prefeito destacou que, desde o início, tentou participar ativamente da administração, afirmando que, ainda na campanha, havia recebido do então candidato a prefeito a promessa de atuar na criação da Secretaria de Desenvolvimento, projeto que, segundo sua versão, não saiu do papel. Palomino relatou que, apesar do compromisso firmado, não recebeu secretaria, não pôde ocupar salas fixas na prefeitura e teve acesso limitado a reuniões e processos internos.
Segundo ele, o prefeito o orientou, em determinado momento, a não interferir em setores administrativos, chegando a afirmar que o vice-prefeito “não podia fazer nada ali”. Palomino acrescentou que, mesmo cumprindo rotina diária na prefeitura, raramente era chamado a contribuir em decisões. Em suas palavras, faltou diálogo, orientação e integração: elementos que, para ele, são indispensáveis para o cargo de vice-prefeito, que deveria atuar como elo “de ligação” entre Executivo e Câmara Municipal.
A entrevista ganhou tom mais crítico quando Palomino descreveu episódios de constrangimento vividos dentro da administração. Um deles envolveu um funcionário comissionado, que, segundo ele, teria o abordado de maneira hostil ao exigir que o vice-prefeito “batesse à porta” antes de entrar em uma sala. O caso, que ocorreu diante de secretários e servidores, não teria recebido qualquer manifestação do prefeito. “Faltou respeito, comigo e com o cargo”, afirmou.
Outro ponto narrado por Palomino foi sua presença em uma reunião sobre o transporte escolar, da qual participava ao lado de servidores e do vereador Veio Modesto. De acordo com o vice-prefeito, o prefeito teria entrado na sala de forma abrupta e questionado o encontro, em tom que Palomino classificou como desrespeitoso. Após o episódio, disse ter deixado o local visivelmente contrariado.
Em diversos momentos da entrevista, Palomino afirmou que buscou agir com discrição, evitando conflitos diretos, mas ressaltou que o acúmulo de episódios torna insustentável o que chamou de “distanciamento forçado”. Ele também afirmou que nunca recebeu informações formais sobre férias ou ausências do prefeito e que decisões importantes eram tomadas sem sua participação.
A fala do vice-prefeito, expõe uma ruptura evidente na relação interna da administração municipal. O cenário, segundo ele, tem gerado preocupação entre vereadores e parte da comunidade política local, que busca compreender a dimensão da crise.



