sábado, 24 outubro, 2026
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Clikando: Erradicar a poliomielite

Uma missão que o Rotary abraçou e que o mundo precisa concluir

Por: Gabriel Bagliotti*

Neste sábado, 24 de outubro, Dia Mundial de Combate à Poliomielite, destaco o compromisso histórico do Rotary International na luta contra uma doença que já ameaçou milhões de crianças e que ainda exige vigilância, vacinação e mobilização mundial.

Existem causas que ultrapassam fronteiras, diferenças culturais, posições políticas e interesses individuais. São aquelas que nos lembram que a humanidade é capaz de se unir quando o objetivo é proteger vidas. Neste sábado, 24 de outubro, Dia Mundial de Combate à Poliomielite, quero dedicar este espaço ao reconhecimento de uma das maiores iniciativas humanitárias da história: o trabalho desenvolvido pelo Rotary International para erradicar a pólio do planeta.

Como alguém que acompanha há décadas as atividades rotárias, sinto orgulho de fazer parte de uma instituição que transformou um compromisso aparentemente impossível em uma das mais importantes conquistas da saúde pública mundial.

Afinal, estamos falando de uma luta que começou há mais de 45 anos e que continua mobilizando milhares de voluntários, profissionais da saúde, governos e organizações internacionais.

Tudo começou em 1979, quando o Rotary promoveu uma campanha de vacinação infantil nas Filipinas. Aquela iniciativa representou muito mais do que a aplicação de vacinas. Foi o início de um movimento que demonstraria ao mundo a força do trabalho coletivo.

Posteriormente, o Rotary tornou-se um dos parceiros fundadores da Iniciativa Global de Erradicação da Pólio, esforço internacional que contribuiu para reduzir em aproximadamente 99,9% os casos da doença em todo o planeta.

Confesso que, quando observo esses números, fico impressionado com a dimensão dessa conquista.

Ao longo dessa trajetória, o Rotary destinou mais de US$ 2,9 bilhões em subsídios Pólio Plus, além de incontáveis horas de trabalho voluntário, contribuindo para proteger mais de 3 bilhões de crianças em 122 países. A instituição também desempenhou papel fundamental na mobilização de governos, incentivando investimentos superiores a US$ 11 bilhões no enfrentamento da doença.

Mas precisamos compreender que, por trás desses números, existem histórias de famílias, crianças e comunidades inteiras que tiveram seus destinos transformados.

A poliomielite é uma doença infecciosa causada por um vírus que pode comprometer o sistema nervoso, provocar paralisia permanente e, em situações graves, levar à morte. Sua transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral, frequentemente associada à água e aos alimentos contaminados.

As crianças menores de cinco anos estão entre as mais vulneráveis, razão pela qual a vacinação representa uma das ferramentas mais importantes para impedir a circulação do vírus.

E aqui faço uma reflexão que considero indispensável: não podemos permitir que os avanços conquistados pela ciência e pela solidariedade sejam colocados em risco pela desinformação ou pela negligência com a vacinação.

Vivemos uma época em que informações falsas circulam com velocidade assustadora, colocando em dúvida medidas de prevenção que salvaram milhões de vidas.

Por isso, acredito que combater a poliomielite também significa defender a informação responsável, a ciência e o acesso universal à saúde.

Atualmente, Afeganistão e Paquistão continuam sendo os únicos países onde o poliovírus selvagem permanece endêmico. Entretanto, isso não significa que as demais nações estejam definitivamente livres de riscos.

Enquanto o vírus continuar circulando em qualquer parte do mundo, a ameaça permanecerá presente. Por essa razão, manter elevadas coberturas vacinais é uma responsabilidade permanente.

No Brasil, onde a poliomielite foi eliminada há décadas, precisamos continuar atentos à vacinação infantil. Afinal, preservar uma conquista sanitária exige o mesmo comprometimento necessário para alcançá-la.

Também considero importante destacar o papel dos clubes de Rotary espalhados pelo mundo, inclusive em nossa querida Taquaritinga.

São instituições que, além de desenvolverem projetos comunitários, integram uma rede internacional comprometida com a promoção da saúde, da educação, da paz e da dignidade humana.

O trabalho rotário demonstra que servir ao próximo não significa apenas atender às necessidades imediatas de nossa comunidade, mas também contribuir para transformar realidades que talvez nunca conheceremos pessoalmente.

Uma criança vacinada em uma comunidade distante representa uma vitória para toda a humanidade.

Neste Dia Mundial de Combate à Poliomielite, quero reconhecer especialmente os rotarianos, profissionais da saúde, voluntários e parceiros que dedicaram e continuam dedicando parte de suas vidas a essa missão.

Sei que ainda existem desafios importantes pela frente. Entretanto, também sei que a determinação coletiva já nos levou muito longe.

Erradicar a poliomielite não é apenas eliminar uma doença. É garantir que futuras gerações possam crescer sem o medo de uma enfermidade capaz de comprometer definitivamente suas vidas.

Que o dia 24 de outubro seja, portanto, mais do que uma data de conscientização. Que represente um chamado à responsabilidade, à valorização da vacinação e ao reconhecimento daqueles que trabalham silenciosamente pela saúde mundial.

E que possamos, em um futuro próximo, celebrar uma conquista histórica: um mundo definitivamente livre da poliomielite.

Porque, como o Rotary nos ensina diariamente, quando pessoas se unem em torno de uma causa verdadeiramente importante, até aquilo que parecia impossível pode se tornar realidade.

*Gabriel Bagliotti é jornalista responsável e diretor presidente de O Defensor.