Em entrevista a O Defensor, Alexandre Botura revisita a história da república e do bloco Cromossomos e destaca desafios, identidade e permanência cultural
A República CMS – Cromossomos, uma das mais tradicionais do Carnaval de Taquaritinga, mantém há mais de duas décadas uma trajetória marcada pela união entre amigos, pela valorização da cultura carnavalesca local e pela construção de um legado que atravessa gerações. Em entrevista a O Defensor, Alexandre Botura, um dos fundadores do grupo, revisitou a origem da república, explicou o processo de consolidação da casa fixa e refletiu sobre o papel do bloco no fortalecimento das tradições musicais que caracterizam o Carnaval taquaritinguense.
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Alexandre relembra que tudo começou com uma turma do terceiro colegial, no início dos anos 2000, movida pelo desejo de viver intensamente a festa mais popular do país. Segundo ele, o grupo decidiu criar uma república carnavalesca sem grandes expectativas de continuidade, mas o projeto ganhou força ano após ano. A primeira camiseta surgiu em 2003, mas a primeira república completa só foi instalada em 2004, devido à idade dos integrantes. Desde então, a CMS esteve presente em todos os carnavais, com exceção do período da pandemia, construindo uma história contínua e marcada por amadurecimento.
Nos primeiros anos, o funcionamento era itinerante. A república mudava de endereço anualmente, alugando imóveis disponíveis no centro da cidade. Com o tempo, o grupo passou a investir na própria estrutura, resultando na casa fixa atual, localizada novamente na Rua Marechal, onde estão instalados há quase nove anos. Para Alexandre, a estabilidade representa não apenas crescimento financeiro, mas também compromisso com o bem-estar dos amigos e convidados que frequentam o local durante o Carnaval.
Além da república, o Bloco CMS se tornou outro marco da trajetória do grupo. Botura faz questão de esclarecer que república e bloco são estruturas distintas, mas complementares, compartilhando princípios e integrantes. A mudança de identidade musical ocorreu em 2008, quando, após dois anos com bateria tradicional, o grupo decidiu incorporar instrumentos de corda e apostar em repertórios inspirados em coletivos como Monobloco. O objetivo era recuperar melodia, letra e diversidade rítmica, criando uma experiência diferente do padrão comercial que domina muitos blocos contemporâneos.
Alexandre destaca que a proposta dialoga diretamente com o interesse de aproximar novas gerações das referências musicais que marcaram outras épocas do Carnaval. Para ele, manter vivas essas influências significa também preservar a cultura local e estimular a renovação das repúblicas e blocos, garantindo que o espírito carnavalesco siga vivo por décadas. O fundador afirma ainda que o CMS busca deixar um legado de amor ao Carnaval, de valorização da música e de convivência coletiva.
O Carnaval de 2026 também trouxe desafios extras. A república precisou se adaptar às normas exigidas pela Prefeitura, pela Polícia Militar e pelo Corpo de Bombeiros para obter laudos e garantir condições adequadas de segurança aos foliões. Ainda assim, Alexandre avalia que as expectativas foram atendidas. Ele explica que, embora a CMS tenha crescido e receba novos integrantes, o foco permanece no convívio entre amigos e na criação de um ambiente acolhedor, onde cada participante se sinta parte do grupo.
Apesar de manter uma postura mais reservada do que repúblicas mais abertas, como o DNA, a CMS aceita novos integrantes mediante indicação e conversa prévia. Assim, quem deseja conhecer mais sobre a república ou sobre o bloco pode procurar os organizadores ou acompanhar as redes sociais, onde o grupo divulga parte de suas atividades e registros dos desfiles.
Com 20 anos de história, a República CMS consolida-se como uma das forças culturais do Carnaval taquaritinguense. Entre lembranças, desafios e expectativas, o grupo reforça a importância de manter viva a essência da festa: música, amizade, identidade e continuidade.



