segunda-feira, 27 abril, 2026

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Capítulo Zero – Celular

Por: Lucas Fanelli*

Olá caro leitor, espero que você esteja bem. A indicação de hoje é para fazer você imaginar um mundo em que o maior pesadelo não é perder o sinal da operadora, mas ter sinal demais. Pois é, Stephen King resolveu brincar com a nossa dependência tecnológica e escreveu Celular. O título já entrega o conteúdo, então não espere elfos, dragões ou viagens no tempo. Aqui o monstro é aquele aparelhinho que você carrega no bolso com sua bateria em 2%.

King, como bom observador da humanidade, percebeu que o celular virou quase uma extensão da mão. Se antes o medo era de fantasmas no porão, agora é de ficar sem Wi-Fi. E ele transforma essa paranoia moderna em literatura. O resultado é uma história que faz você olhar para o seu smartphone com a mesma desconfiança que olha para o corredor escuro da usa casa às 3h da madrugada.

O livro não precisa de zumbis clássicos, porque já temos os usuários de celular andando pelas ruas com os olhos vidrados na tela. Quem nunca tropeçou na calçada porque estava respondendo mensagem? King só exagera um pouquinho, afinal, exagero é a alma do terror.

Mas não se engane! Apesar do tom apocalíptico, Celular é também uma sátira. King sabe pegar itens do cotidiano e transformar em um pesadelo, seus livros são na base do “e se…?”. E se eu colocar uma redoma sobre uma cidade inteira? E se eu transformar um palhaço em um monstro? E se eu trancar uma família em um hotel assombrado? E se o celular que está presente no cotidiano de todo mundo virasse uma arma letal? E assim King vai escrevendo e nós leitoras vamos ficando cada vez mais apaixonados.

O ritmo da narrativa é rápido, como uma ligação de telemarketing que você não consegue desligar. E a ironia está em perceber que, no fundo, King não inventou nada, apenas colocou nas páginas de um livro aquilo que já vivemos diariamente.

Se você procura uma leitura que mistura crítica social, humor ácido e aquele desconforto típico de quem percebe que talvez esteja usando demais o celular, este livro é para você. Depois de ler, você vai pensar duas vezes antes de atender a chamada 011 pensando se é um vendedor querendo bater meta ou talvez outra coisa…

*Lucas Fanelli é apaixonado por livros e colaborador de O Defensor.