“Toda unanimidade é burra” (Nélson Rodrigues)
Por: Sérgio Sant’Anna*
Comecei a escrever sobre o que não sabia, apenas com o desejo de que gostaria de escrever. Tenho na escrita algo maior que um ofício, um amor que ultrapassa as barreiras da necessidade e deságua nos ombros da finitude. Desejo que é alimentado pelas leituras realizadas, cenas cotidianas observadas, diálogos travados, situações que alimentam a inteligência. Escrever é um ser desejos, e se completa com o desejo de ser.
Pesquisas apontam que o número de leitores é maior que o número de não-leitores, isso me assusta, porém é cada vez menor o número de pessoas que gostam de escrever. Isso é resultado da diminuição do número de leitores, alimentados pelo sossego exposto pelas redes sociais e naufragados pela inércia de inteligências artificiais. Será que os livros serão apenas objetos decorativos, alicerces cenográficos? Luto para que isso não aconteça e espero que consiga uma legião de leitores e aqueles que amam escrever, que me acompanhem nesta caminhada contra a ignorância.
Uma sociedade alimentada pelo preconceito, disposta as mais terríveis atrocidades, carregada pelo fel da vingança, é sim uma nação de não-leitores, cidadãos que se embasam culturalmente por rolagem de feeds, centrados apenas na leitura de manchetes, adaptada ao linxamento virtual, e ao basear-se na força da manada. Lembrem-se de que Nelson Rodrigues escreveu: “Toda unanimidade é burra”. Portanto, primeiro tenha o hábito da leitura e depois passe a ler com criticidade para só depois emitir sua posição através da escrita. E hoje o que se vê são articulistas, principalmente, nos telejornais, acostumados a excrementarem oralmente. Na escrita, uma infinidade. Os bons textos se tornaram escassos, esguios.
Caberá a esta geração de intelectuais, leitores, professores, seres humanos que se dedicam à cultura, uma força-tarefa para que a paixão à escrita retorne e o número de leitores aumente. Somente a cultura e a educação nos salvarão desse “infomar” de bestas caminhantes.



