Por: Luisinho Bassoli*
O termo back-channel (canal secreto, em tradução livre) é a expressão para negociações ultrasecretas, que ocorrem antes ou durante acordos oficiais.
Na diplomacia, é uma proteção, ainda que temporária, contra obstáculos, ao propiciar que negociadores testem, mutuamente, a boa-fé; os líderes mantêm uma opinião de público, enquanto negociam em sigilo.
Nos anos 1970, Ronald Reagan e o Aiatolá Khomeini negociaram, em segredo, a crise dos reféns; assim como Nelson Mandela e Hendrik Jacobus, ministro da Justiça da África do Sul, sobre o apartheid (anos 80). São inúmeros os casos de back-channel: o processo de paz israelo-palestino, com Clinton, Arafat, Ytzak Rabin e Shimon Peres; Reino Unido e o grupo IRA; Obama e Raul Castro, intermediado pelo Papa Francisco.
Após os ataques do Hamas a Israel de 2023, Joe Biden foi terrivelmente inábil ao não conversar com Netanyahu e expor “apoio incondicional” a Tel Aviv, inviabilizando qualquer acordo – a situação saiu de controle.

Trump, antes de assumir a presidência, enviou um assessor ao Oriente Médio para mediar o cessar-fogo entre Israel e Hamas; porém, falhou miseravelmente em obedecer Netanyahu, sabotar as negociações, intermediadas por Omã, e iniciar a guerra ao Irã.
Há alguns dias, Paquistão, Egito e Turquia teriam investido no back-channel para uma conversa entre Irã e EUA, tornado público pelo ministro das Relações Exteriores da Alemanha, na sexta-feira (27/3).
Não será fácil, mas a diplomacia é a única esperança para a paz.



