Por: Rodrigo Panichelli*
Agora acabou conversa. Acabou projeção, amistoso, vídeo de treinamento, entrevista protocolar e discussão de rede social.
Na próxima quinta-feira, dia 11 de junho, começa de verdade a Copa do Mundo de 2026.
E começa com um detalhe que o futebol adora entregar: ironias. Justamente uma coluna que tantas vezes falou dos erros de arbitragem no Brasileirão, Paulista, Carioca e tantos outros campeonatos, recebe de presente a notícia de um árbitro brasileiro escalado para a abertura entre México e África do Sul.
E sabe o que é curioso? Em Copa do Mundo eles costumam ir bem demais.
Mas o protagonista não pode ser o apito. O protagonista volta a ser quem sempre deveria ser: a bola.
A bola rolando. Os primeiros placares entrando na tabela. As primeiras contas sendo feitas. As primeiras surpresas aparecendo.
Porque Copa do Mundo não começa quando toca o hino. Copa começa quando alguém faz o primeiro gol.
E já no primeiro dia teremos fôlego para maratonar futebol. Além da abertura, ainda teremos Coreia x República Tcheca, às 23 horas no horário do Brasil. Entraremos madrugada adentro acompanhando essa peleja.
E é disso que estou falando.
Jogo de Copa vale esforço.
Vale dormir pouco. Vale acordar cedo. Vale interromper rotina. Porque sempre acontece alguma coisa diferente. Sempre nasce um personagem improvável. Sempre aparece um gol que será lembrado por anos.
E então chega o Brasil.
Sábado. Dia 13.
Contra Marrocos.
Dia de Zagallo. Dia de Santo Antônio.
E começam as coincidências. As crendices. As lendas que só a Copa produz.
O número que encaixa. O craque que se recupera na hora certa. O esquema tático que parecia não funcionar e de repente vira genial. O time desacreditado que encontra um caminho. A superstição que ninguém admite, mas todo mundo carrega.
Tomara que eu esteja errado.
Hoje, se me pedirem previsão, digo que vejo o escrete brasileiro chegando até quartas de final.
Mas torço para errar feio.
Torço para ver o Brasil na grande final.
Porque conforme o relógio anda, aumenta a angústia. Cresce o nervosismo.
E se para nós, aqui do sofá, já parece difícil controlar a ansiedade, imagine para os onze que entrarão em campo.
Ali está o sonho que começou num campinho de bairro, num treino de escolinha, numa bola chutada contra o muro.
Talvez como meus filhos.
Que sonham, como tantas crianças sonham, um dia disputar uma Copa do Mundo.
E quando a gente olha por esse lado entende uma coisa:
Copa do Mundo nunca é só futebol.
É um lugar onde milhões de sonhos entram em campo junto com a bola.
E quinta-feira ela volta a rolar.



