sexta-feira, 17 abril, 2026

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Ambiente corporativo: Atualização da NR-1 pressiona empresas a rever gestão de pessoas e cultura organizacional

Debate promovido pelo CIESP Araraquara aponta que norma amplia responsabilidades patronais e exige atuação estratégica de lideranças e RH

As recentes atualizações da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1) devem provocar mudanças estruturais na forma como empresas administram pessoas, processos internos e cultura organizacional. O tema esteve no centro do encontro mensal do Grupo de Gestão de Pessoas (GGP), promovido pelo CIESP Araraquara, que reuniu empresários e profissionais de recursos humanos para discutir os impactos práticos da legislação no ambiente corporativo.

A norma estabelece diretrizes gerais relacionadas à segurança e saúde no trabalho, mas, segundo especialistas, passou a exigir uma atuação mais ampla e permanente das organizações. Durante o evento, o advogado e professor Ricardo Monnazzi destacou que a nova fase da NR-1 representa uma mudança de paradigma na gestão empresarial.

Segundo ele, não basta apenas cumprir formalidades legais. A exigência atual é de gerenciamento contínuo e integrado de riscos, incluindo fatores antes pouco abordados nas rotinas corporativas, como estresse, sobrecarga de trabalho, conflitos interpessoais e outros elementos ligados ao bem-estar emocional dos colaboradores.

Na prática, isso significa que empresas precisarão ampliar o olhar sobre o ambiente interno, adotando políticas preventivas e mecanismos de acompanhamento constante. A responsabilidade deixa de ser concentrada apenas no setor de recursos humanos e passa a envolver lideranças, diretorias e proprietários, que deverão assumir papel ativo na condução dessas transformações.

Outro ponto ressaltado no debate foi a crescente relevância dos chamados riscos psicossociais, ligados à carga excessiva de tarefas, falta de reconhecimento profissional, desequilíbrio entre vida pessoal e trabalho e relações interpessoais desgastadas. Esses fatores, além de afetarem diretamente o clima organizacional, podem impactar produtividade, retenção de talentos e gerar passivos trabalhistas.

O encontro também revelou que muitas empresas ainda se encontram em fase inicial de adaptação. Embora a norma já esteja em vigor, existe expectativa de aumento da fiscalização na região de Araraquara, com profissionais responsáveis por verificar se as exigências estão sendo efetivamente implementadas.

Para Michele Delgatti Pelaes, coordenadora do CIESP Araraquara, o momento exige preparação técnica e visão estratégica. Segundo ela, o Grupo de Gestão de Pessoas cumpre papel importante ao antecipar tendências e oferecer suporte às empresas diante de mudanças que ultrapassam o campo jurídico e alcançam diretamente a competitividade dos negócios.

Nesse cenário, cresce a importância de programas de capacitação e atualização profissional. O próprio CIESP mantém agenda de cursos e ações voltadas à indústria e demais setores produtivos, buscando auxiliar organizações no processo de adequação às novas demandas regulatórias.

Mais do que uma obrigação legal, a NR-1 passa a ser vista como instrumento de modernização da gestão corporativa, com foco em ambientes mais seguros, saudáveis e produtivos.