Por: Lucas Fanelli*
Olá caro leitor, espero que você esteja bem! Se você achava que Stephen King já tinha explorado todos os jeitos possíveis de arruinar uma boa noite de sono, Revival chega para provar que a criatividade do homem é uma espécie de usina hidrelétrica movida a puro desespero humano. E, claro, com aquele toque de “isso daria um ótimo sermão de domingo”, porque o livro é praticamente um encontro entre Igreja e H.P. Lovecraft em que ninguém sai ileso dessa mistura.
A história acompanha Jamie Morton, um garoto comum de cidade pequena, até o momento em que um pastor carismático aparece para bagunçar sua vida. Nada de novo no front literário, certo? Errado. Porque este pastor, Charles Jacobs, não é apenas carismático: ele é o tipo de sujeito que você olha e pensa “esse aí vai dar problema”. E dá. Muito. Em escala elétrica.
King conduz a narrativa como quem faz a parte elétrica de uma casa e, quando você percebe, está preso num fio desencapado emocional. O livro começa quase como um drama de formação, passa por crises de fé, vícios, carreiras fracassadas e reencontros improváveis, até desembocar num final tão sombrio que faz você reconsiderar até aquele seu hábito inocente de carregar o celular enquanto dorme.
O humor involuntário, ou voluntário, vai saber, aparece quando King descreve experimentos científicos que fariam qualquer professor de física pedir demissão. É como se Frankenstein tivesse assinado um contrato com a BYD. E Jacobs, o pastor-cientista-maluco, é o tipo de personagem que faria até Odete Roitman falar: “também não é pra tanto, né?”.
Mas o grande trunfo de Revival é como ele engana o leitor: você acha que está lendo um drama sobre fé e perda, e de repente está diante de um portal cósmico que parece ter sido desenhado por alguém que não dorme desde quando saiu do Trio Elétrico da Ivete Sangalo no carnaval. O final é tão perturbador que eu fechei livro e pensei: “ok, vou ali abraçar meu cachorro e fingir que nada disso aconteceu”.
Em suma, Revival é Stephen King em modo “cientista maluco com diploma de teologia”, entregando uma história que começa suave, cresce como uma tempestade elétrica e termina com um trovão que ecoa na sua cabeça por dias. É um romance sobre fé, obsessão e o tipo de curiosidade que deveria vir com aviso de perigo. E, claro, é King, então você lê tremendo, mas lê.



