terça-feira, 2 junho, 2026

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Nossa Palavra – O eco do silêncio

Memória, terrorismo e as feridas abertas das guerras globais

Neste 11 de março, o mundo se detém em uma reflexão solene e dolorosa: o Dia Internacional das Vítimas do Terrorismo. A data não é um mero registro burocrático no calendário das Nações Unidas; é um grito de dignidade que atravessa fronteiras para honrar aqueles cujas vidas foram ceifadas ou transformadas para sempre pelo ódio cego e pela violência política extrema. Em Taquaritinga, embora estejamos fisicamente distantes dos grandes epicentros de conflito, não podemos nos fechar em uma redoma de indiferença. O terrorismo e a guerra são ofensas à humanidade como um todo, e o sofrimento de uma vítima, seja em Madri, Cabul, Gaza ou Kiev, ressoa na consciência de cada cidadão que preza pela liberdade.

Celebrar este dia é, antes de tudo, um ato de resistência contra o esquecimento. O terrorismo busca, através do medo, paralisar as sociedades e destruir os valores democráticos. Quando dedicamos o 11 de março às vítimas, estamos invertendo a lógica do agressor: em vez de focarmos no autor do crime, focamos na humanidade de quem sofreu as consequências. É um dia para ouvir os sobreviventes, apoiar as famílias dilaceradas e reafirmar que nenhuma causa, seja ela ideológica, religiosa ou política, justifica o sacrifício de inocentes.

Enquanto prestamos homenagem às vítimas do passado, não podemos ignorar que o presente é desenhado por nuvens pesadas de fumaça e pólvora. O cenário global neste início de março de 2026 é de uma complexidade alarmante. Vivemos um momento em que a diplomacia parece falar mais baixo que o estrondo dos canhões.

A persistência de conflitos em larga escala, como a guerra na Europa Oriental e as tensões explosivas no Oriente Médio, redefine o conceito de segurança global. Não são apenas soldados que tombam nos frontes; são cidades milenares reduzidas a escombros, economias destroçadas e gerações de crianças que crescem conhecendo apenas o som das sirenes de ataque aéreo. O terrorismo e a guerra convencional, embora distintos em tática, compartilham a mesma face cruel: a desumanização do “outro”.

As guerras atuais não são eventos isolados; elas funcionam como peças de um dominó que afeta a todos nós. O aumento no preço dos combustíveis, a insegurança alimentar global e a crise migratória sem precedentes são os reflexos diretos desses conflitos que chegam até a nossa mesa aqui no interior de São Paulo. Mas o impacto mais profundo é o ético. Como sociedade global, estamos nos tornando anestesiados diante das imagens de satélite que mostram a destruição sistemática de nações.

A proliferação de grupos extremistas que utilizam táticas terroristas em meio a guerras civis cria um labirinto de sofrimento para as populações civis. O 11 de março serve para nos lembrar que, por trás dos mapas geopolíticos e dos interesses das grandes potências, existem pessoas de carne e osso. Vítimas que perdem o direito de ir e vir, de professar sua fé ou simplesmente de existir em paz. A guerra é a falência da política, e o terrorismo é a falência da humanidade.

O Jornal O Defensor, com sua trajetória de 43 anos pautada pela credibilidade, entende que informar sobre o que acontece no mundo é uma forma de educar para a paz. Não podemos ser uma “ilha” de tranquilidade ignorando o oceano de turbulências ao redor. Ao discutirmos o terrorismo e as guerras neste editorial, buscamos despertar em nosso leitor o valor da tolerância e do diálogo.

Taquaritinga sempre foi uma cidade acolhedora, formada por imigrantes — como os italianos que homenageamos recentemente — que muitas vezes fugiram de guerras e privações em seus países de origem. Nossa história é prova de que a reconstrução é possível, mas a prevenção é o caminho mais inteligente. A paz não é apenas a ausência de guerra; é a presença da justiça e do respeito mútuo.

Neste 11 de março, que a nossa prece (reforçando o espírito do Dia Mundial da Oração que celebramos há poucos dias) seja pelas vítimas que não têm mais voz e pelos sobreviventes que carregam as cicatrizes visíveis e invisíveis do terror. Que as lideranças mundiais encontrem a coragem necessária para buscar o cessar-fogo e a mesa de negociações, abandonando a retórica da aniquilação.

Que o Dia Internacional das Vítimas do Terrorismo nos inspire a sermos agentes de paz em nossa própria comunidade. Que saibamos resolver nossos conflitos locais com a palavra, e não com a violência. Afinal, a paz mundial começa na tolerância que praticamos na nossa rua, no nosso trabalho e em nossa casa. Honrar as vítimas é garantir que o sacrifício delas não tenha sido em vão, lutando para que o futuro seja escrito com tinta, e não com sangue.

Pela memória das vítimas, pelo fim das guerras e pela soberania da paz.