Por: Rodrigo Panichelli*
Flamengo e Palmeiras chegam à final da Libertadores 2025 como quem cumpre destino. Não é exagero: são as duas maiores forças do futebol sul-americano na última década, técnica e financeiramente. É quase natural que o continente termine mais uma vez com rubro-negros e alviverdes frente a frente—como em 2021, na decisão que terminou no erro de Andreas Pereira e no improviso genial (ou caótico, dependendo da ótica) de Deyverson.
Quatro anos depois, o futebol escreve suas ironias. Andreas volta à final, mas agora vestido de verde. Tentará apagar o lance que o assombra desde Montevidéu. Ou repetir a história? A Libertadores adora revisitar fantasmas.
Os momentos, porém, são diferentes. O Palmeiras chega a Lima sem vencer há cinco rodadas no Brasileirão. Um time que perdeu o brilho, mas não perdeu a capacidade de competir. Já o Flamengo vem embalado: lidera o Brasileiro com cinco pontos de vantagem sobre o próprio Palmeiras e flerta com o raro e pesado combo “Libertadores + Brasileirão no mesmo ano”, como fez em 2019. Mas decisão em jogo único tem a mania de ignorar favoritismos com a mesma facilidade que ignora lógica.
E se dentro de campo os dois são gigantes, fora dele a história é a mesma novela de sempre. A expulsão do jogador rubro-negro Plata, que sumiu da súmula como mágica—o famoso cartão vermelho que saiu no campo e voltou no vestiário—mostra que, na Libertadores, nem sempre os bastidores jogam menos que o time. Se valesse revisar tudo, teríamos uma biblioteca inteira de partidas reescritas. Mas não vale. Nunca valeu. A regra é clara: vale o que está decidido. Mesmo quando ninguém entende como foi decidido.
De qualquer forma, seria injusto dizer que esta final não premia os melhores. Premia, sim. Talvez fosse até injusto que fossem outros. Flamengo e Palmeiras merecem estar onde estão: no topo do continente, de novo. Resta saber agora quem tem mais garrafa vazia para vender. Quem transforma pressão em performance. Quem vira herói e quem vira vilão—porque a Libertadores adora fabricar ambos no mesmo lance.
Lima receberá 90 minutos de tensão. Talvez mais. Mas que vença o futebol brasileiro. E que a final seja do tamanho dos protagonistas.



