quinta-feira, 30 abril, 2026

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Coluna Clikando – Nem tudo são flores — e ainda bem que não são

Por: Gabriel Bagliotti*

Nesta última semana, eu e minha esposa, Nathalia, completamos quatro anos de casados. Quatro anos desde o dia em que dissemos “sim” diante do altar da Igreja Matriz de São Sebastião, em um mundo ainda abalado pela pandemia da Covid-19. Era um tempo de incertezas, de distanciamentos, de medos — mas também de fé. Pouquíssimas pessoas puderam estar conosco naquele momento: apenas familiares e alguns amigos próximos. Ainda assim, foi um dos dias mais marcantes da minha vida.

Lembro-me com clareza de cada detalhe. Da cerimônia conduzida com tanta sensibilidade pelo Diácono Mário Lúcio Marchioni. Do olhar emocionado de Nathalia, linda em seu vestido de noiva, com um sorriso que parecia iluminar toda a igreja. E do nosso pequeno Joaquim, no primeiro banco, pulando de colo em colo, sem entender direito o que acontecia, mas irradiando alegria — como se sua presença ali fosse uma bênção viva, o símbolo da nossa união.

Quando o Diácono me perguntou, naquele momento solene, se eu realmente desejava me casar, confesso que senti o peso e a força daquela pergunta. É um instante em que o coração bate mais forte, em que o “sim” carrega uma responsabilidade muito maior do que imaginamos. Mas dentro de mim não havia dúvida alguma. Eu tinha plena certeza de que era aquilo que eu queria — aquela mulher, aquele filho, aquela vida. E essa convicção, quatro anos depois, segue inabalável.

Hoje, ao celebrarmos nossas Bodas de Flores, reflito sobre o simbolismo do nome. As flores são belas, coloridas, encantadoras — mas também frágeis. Precisam de cuidado, de paciência, de atenção constante para florescerem. E talvez seja justamente esse o sentido desses quatro primeiros anos de casamento: compreender que o amor é uma planta viva, que exige regas diárias, luz, tempo e, sobretudo, dedicação.

É verdade: nem tudo são flores. E eu aprendi que isso está longe de ser algo ruim. Porque são os espinhos, as tempestades e as estações difíceis que tornam a relação mais forte, mais real, mais humana. Casamento não é feito só de sorrisos, mas também de opiniões divergentes, de ajustes, de escolhas diárias por continuar — mesmo quando o caminho se torna desafiador.

Nesses quatro anos, aprendemos a lidar com as diferenças, a respeitar o espaço um do outro e a compreender que o amor não é apenas o sentimento dos primeiros dias, mas o compromisso de caminhar juntos apesar dos tropeços. A vida a dois é um exercício constante de empatia e amadurecimento. É abrir mão, ceder, escutar, e — acima de tudo — permanecer.

Olho para trás e vejo o quanto crescemos juntos. Passamos por momentos difíceis, enfrentamos dias em que o peso das responsabilidades parecia maior que o fôlego. Mas também vivemos dias de pura alegria, de riso solto, de conquistas compartilhadas. E, no fim, é isso que fica: a soma de tudo o que vivemos e o que ainda sonhamos construir.

Dizem que o casamento é feito de fases — e eu acredito nisso. Há o encantamento inicial, há o período de adaptação, e depois vem o tempo da consolidação, em que se entende que o amor não é estático, mas um movimento constante. Amar é aprender a recomeçar todos os dias, com paciência e ternura, mesmo quando o cotidiano tenta nos engolir.

Quando olho para Nathalia, vejo não apenas a mulher por quem me apaixonei, mas a companheira que esteve ao meu lado em cada desafio, a mãe dedicada do nosso filho Joaquim, a parceira de sonhos e projetos. E ao lado dela, vejo o Joaquim crescendo, nos ensinando que a família é, de fato, o maior presente que a vida pode nos dar.

Celebrar quatro anos de casamento é também reconhecer que a caminhada é feita de altos e baixos — mas que, em meio a tudo isso, há um amor verdadeiro sustentando cada passo. As flores, por mais delicadas que sejam, resistem ao tempo quando têm raízes profundas. E é assim que vejo nosso relacionamento: firme, enraizado, capaz de suportar ventos fortes sem se partir.

Por isso, quando digo que nem tudo são flores, falo com gratidão. Porque são justamente os dias nublados (e eles são muitos) que nos fazem valorizar os ensolarados. São os conflitos que nos ensinam a importância do diálogo. São os desafios que fortalecem o laço e nos lembram por que dissemos “sim” lá atrás.

Quatro anos depois, eu olho para minha esposa e para o nosso filho e sinto o mesmo que senti no altar: a certeza da escolha. A certeza de que, mesmo que o caminho nem sempre seja fácil, ele vale cada passo, cada aprendizado, cada recomeço.

Nem tudo são flores — e ainda bem. Porque o amor verdadeiro não vive apenas no perfume das rosas, mas na coragem de cuidar do jardim, mesmo quando ele exige esforço, paciência e fé. E é isso que seguimos fazendo, juntos, todos os dias.

*Gabriel Bagliotti é jornalista responsável e diretor presidente de O Defensor.