domingo, 26 julho, 2026

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Nossa Palavra – Em quem recai a democracia? No eleitor

À medida que o calendário avança e nos aproxima das eleições majoritária de 2026, uma pergunta precisa ecoar com mais força nas rodas de conversa, nas salas de aula, nos debates familiares e — sobretudo — na consciência individual: qual é o nosso papel real na construção do futuro político da cidade, do estado, do país?

A cada ciclo eleitoral, há uma natural concentração de atenções sobre os candidatos, suas propostas e seus históricos. No entanto, é necessário que se redirecione parte desse foco para o protagonista silencioso — muitas vezes negligente — desse processo: o eleitor.

Sim, é sobre responsabilidade. E ela começa bem antes da urna.

Estamos em um ano pré-eleitoral. Isso significa que, neste exato momento, alianças estão sendo costuradas, candidaturas articuladas, discursos testados e — mais importante ainda — narrativas sendo moldadas para conquistar corações e votos. Trata-se do período mais fértil para o debate público e, ao mesmo tempo, o mais suscetível à manipulação. Quem se omite agora, aceita ser governado depois sem o direito à surpresa.

A responsabilidade do eleitor em um período como este não se limita a escolher “o menos pior” em outubro do próximo ano. Ela começa na escuta crítica, na cobrança ética e na vigilância ativa. É preciso ler, comparar, perguntar, participar. A construção da cidadania se faz muito antes do voto: ela se dá no hábito de se informar por fontes confiáveis, no interesse por políticas públicas, no combate à desinformação.

E por falar em desinformação, o cenário digital é um campo minado. Grupos de mensagens, redes sociais e perfis anônimos já iniciaram, ainda que de maneira disfarçada, campanhas difamatórias, impulsionamentos de falsidades e construções de heróis instantâneos. O eleitor que compartilha sem verificar, que replica sem critério, torna-se cúmplice da mentira — e isso não é opinião, é responsabilidade civil e moral.

O voto, como bem sabemos, é secreto. Mas o conhecimento é público, e deveria ser coletivo. Quando um eleitor escolhe de forma consciente, informado e livre de paixões momentâneas ou promessas vazias, ele eleva o padrão do debate político e contribui para o amadurecimento da democracia.

Não há sistema político à prova de má fé, mas há sociedades que aprendem a se proteger dela. Isso exige memória. Exige vigilância. Exige que o eleitor saiba quem são os candidatos, de onde vêm, o que já fizeram — e o que deixaram de fazer. Exige, também, que se olhe para além das siglas: nomes, biografias, vínculos e coerência contam mais do que qualquer slogan.

Por fim, é fundamental que o eleitor entenda que seu papel não se encerra com o voto depositado. O acompanhamento do mandato, a fiscalização do gasto público, a exigência por transparência e a participação nas decisões são responsabilidades contínuas.

A democracia não é um evento. É um exercício.

E quem deseja ser respeitado como cidadão deve agir como tal: com informação, com consciência e com coragem.