quinta-feira, 30 abril, 2026

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Jogando Limpo – Série: Minha Seleção de Todos os Tempos – Capítulo 1: O Goleiro

Título: Rogério Ceni, o camisa 1 que jogava com a 10 nos pés

Por: Rodrigo Panichelli*

Começa hoje uma nova série aqui na coluna Jogando Limpo. Ao longo das próximas semanas, vou dividir com vocês a minha seleção de todos os tempos. Um por posição. Não estou aqui buscando unanimidade — até porque, como dizia Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra. Estou escrevendo sobre o que vi, vivi, estudei e sinto. Goleiro a ponta-esquerda, passando por laterais, meio-campistas e terminando no técnico. É a seleção do coração e da razão, das lembranças e das convicções.

E para abrir esse timaço, não tem como não começar por ele: Rogério Ceni.

Não, Rogério não foi só o goleiro-artilheiro. Não foi só o capitão de uma era vitoriosa. Rogério foi o revolucionário que antecedeu a revolução. Antes mesmo de Manuel Neuer sair da grande área para “jogar com os pés” e virar símbolo moderno da posição, Ceni já era o líbero do São Paulo, o primeiro passe do time, o início do contra-ataque e, muitas vezes, o próprio protagonista da jogada.

Sim, Neuer foi gigante. Mas me dói os ouvidos — de verdade — ouvir alguns colegas da nova geração, inclusive de grandes coberturas internacionais, dizerem que o alemão “revolucionou o jogo” como se não tivesse havido um brasileiro aqui, calçando luvas e caneleiras, fazendo história no Morumbi e no mundo com mais de 100 gols e 51 pênaltis defendidos.

Rogério comandou e  venceu três Brasileiros (2006, 2007 e 2008), uma Libertadores (2005), um Mundial de Clubes (2005), e estava no grupo da seleção brasileira em 2002, na conquista da quinta estrela brasileira,  e cravou sua marca em uma das eras mais vitoriosas de um clube brasileiro. Foi campeão com a bola nos pés, nas mãos e no discurso. Um técnico dentro de campo. Uma liderança fora dele. Um atleta à frente de seu tempo. Um camisa 1 com alma de camisa 10.

E se isso não bastasse, o que mais é preciso?

A série segue na próxima semana, com o lateral-direito da minha seleção. Mas desde já, com toda convicção e um toque de emoção, o gol do meu time dos sonhos é dele. Rogério Mücke Ceni. Que além de pegar, jogava. E além de jogar, fazia história.

*Rodrigo Panichelli é colaborado d’O Defensor