quarta-feira, 29 abril, 2026

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Nossa Palavra – Frustração e desrespeito na Escolha da Rainha de Taquaritinga: quando o sonho é maltratado

Na noite de 24 de maio, Taquaritinga deveria ter vivido mais uma edição memorável da tradicional Escolha da Rainha do Rodeio, evento que há 37 anos simboliza beleza, cultura e, principalmente, sonho. No entanto, o que era para ser um espetáculo de brilho e emoção se transformou em frustração, indignação e profundo desrespeito — não apenas com as candidatas e candidatos, mas com toda a comunidade envolvida.

A cerimônia, marcada para as 20h no Clube de Rodeio “Os Pampas”, foi vítima de uma sequência de erros logísticos e organizacionais provocados pela empresa contratada para fornecer os trajes das candidatas e candidatos. Roupas entregues em partes, faltando peças essenciais, com acabamento comprometido e atraso grave na chegada ao local do evento frustraram os preparativos e quase destruíram um sonho que, para muitos jovens, não é apenas uma fantasia de palco — é um marco de autoestima, identidade e tradição local.

É impossível ignorar o valor simbólico que esse momento representa para quem desfila. Em muitos casos, o único desejo é sentir a emoção de vestir o traje, subir na passarela e ser visto, valorizado, celebrado. Trata-se de um rito de passagem, muitas vezes esperado desde a infância. E por isso, falhar nesse processo não é apenas uma falha técnica: é uma falha ética e humana.

A justificativa oferecida pelo responsável pela empresa, em um vídeo que circula nas redes sociais, parece agravar ainda mais a indignação. Dizer que “perdeu dois dias respondendo mensagens de mães e candidatas” é não compreender o tamanho da responsabilidade assumida ao vestir um evento desse porte. A comparação inevitável com a saudosa D. Ivani Storino, figura emblemática da organização do desfile, reforça a decepção: enquanto ela viveu, nunca se permitiu que falhas tão primárias prejudicassem algo tão cuidadosamente construído ao longo dos anos.

A coordenação do desfile, em nota, afirma que confiou na reputação da empresa — e essa confiança foi quebrada. Reconhecer o erro é o primeiro passo. Prometer medidas cabíveis é necessário. Mas o essencial, agora, é restaurar a confiança do público, dos jovens participantes, das famílias e da comunidade. A nova data prometida para o evento precisa vir acompanhada de garantias sólidas de profissionalismo, respeito e organização.

Vale lembrar: este ano, 14 meninas disputariam o título de Rainha, 5 meninos o Garoto Rodeio,  além de 7 madrinhas dos peões, 23 madrinhas mirins, 13 recepcionistas, 5 garotinhos Garotinho Rodeio, 2 participações especiais e toda a corte de 2024, que retornaria para passar as faixas. É uma estrutura complexa, que exige planejamento detalhado e, acima de tudo, comprometimento. Faltou isso.

A frustração é coletiva, mas ela não pode se tornar paralisante. Que sirva de lição. Que o erro não se repita. Que o sonho, ainda que adiado, retorne maior, mais bonito e, principalmente, mais respeitado.

A comunidade de Taquaritinga — com sua história, sua tradição e seu orgulho — merece isso. E os jovens que sonham em desfilar também.