Por: Rodrigo Panichelli*
A Copa do Brasil é, talvez, a mais democrática das competições do nosso futebol. E, atualmente, a mais rentável também. O campeão pode embolsar até R$ 101 milhões — uma verdadeira Mega-Sena do futebol. E olha que, na loteria, a chance de ganhar é de 1 em 50 milhões com uma aposta simples. Na Copa do Brasil, a aposta é complexa. Requer estratégia, raça, técnico inventivo e jogador que aguenta pressão de estádio acanhado e campo alagado.
Ganhar a Copa do Brasil não é simples. Nunca foi.
Porque ela é feita de variáveis e de incertezas.
É feita de zebras, de juizes que erram com o VAR, de campo sem drenagem, de torcida colada no alambrado mandando “lembranças” nos escanteios.
É o grito engasgado, o milagre no segundo jogo, o gol aos 52 do segundo tempo.
É técnico que entra em campo mais que o lateral.
É a bola que pinga torta e beija a trave.
É a classificação suada que vem com um “pix” gordo para aliviar as contas da temporada.
A Copa do Brasil não é apenas um torneio.
É o suco do futebol bretão em seu estado mais puro.
É onde um time da Série D pode, sim, derrubar um gigante da Série A.
É o palco da esperança para quem sonha alto mesmo com o elenco enxuto.
É emoção pura. É o Brasil em campo.
Enquanto o Brasileirão premia a regularidade dos gigantes bem estruturados, a Copa do Brasil consagra o imponderável.
É paixão. É loucura. É taça que vale mais do que o ouro, vale alma, suor e superação.
E essa semana, ela entra em fase decisiva.
Os classificados para as oitavas de final já podem sorrir, o “pix” da classificação já caiu, ou vai cair.
E em tempos de tanta conta pra pagar, ninguém vai querer economizar jogador.
Aqui, ninguém poupa ninguém.
E que venha o próximo capítulo dessa epopeia que nos faz amar ainda mais o futebol.



