3 de abril de 2025
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Gente nossa: Livro resgata a história de taquaritinguense que lutou contra a ditadura

Biografia de Francisco Emanuel Penteado, escrita por Luís José Bassoli, será lançada em maio e destaca a trajetória do jovem militante da ALN, morto em 1973.

O advogado, professor e jornalista, Luís José Bassoli, o Luisinho, nosso colaborador no O Defensor, é autor do livro “Cadê aquele menino lindo?”, uma biografia do taquaritinguense Francisco Emanuel Penteado, o Chiquinho Penteado, que lutou contra a ditadura militar de 1964.
Sob supervisão do ativista cultural e empresário, William dos Santos, o Caju, o projeto foi inscrito na Lei Aldir Blanc de incentivo à Cultura, do governo federal, e aprovado em fevereiro deste ano.

A revisão histórica é do professor Marcos Antônio dos Santos; a revisão ortográfica dos professores Luiz Roberto Wagner e Vera Marta Sobral e dos jornalistas Nilton Morselli e Lívia Nunes; a capa é criação da jornalista Lavínia Louzada Bassoli, filha do autor; o projeto gráfico e a diagramação da Via d’Idea Estúdio Gráfico e a impressão da Gráfica 5.ª Cor.

O prefácio foi escrito pelo ex-deputado estadual Adriano Diogo, que presidiu a Comissão da Verdade da Assembleia Legislativa, e o texto da aba (a “orelha” do livro) é do sociólogo Rogério Baptistini Mendes, professor de Ciências Sociais da Universidade Mackenzie.
O lançamento está previsto para o início do mês de maio.

Chiquinho Penteado

Entrevista

O Defensor: Quem foi Francisco Emanuel Penteado?

Luisinho: O Chiquinho nasceu em Taquaritinga, em 1952, primo do saudoso Wilson Jonas; no início dos anos 1970, se mudou pra São Paulo, supostamente para se matricular no Instituto Mackenzie, mas, na verdade, se alistou no grupo armado Aliança Libertadora Nacional (ALN), que combatia a ditadura, sendo assassinado pelos órgãos da repressão, em 1973, no bairro da Penha, aos 20 anos de idade.

O Defensor: Como surgiu a ideia do livro?

Luisinho: Desde criança, ouvia histórias de jovens taquaritinguenses que enfrentaram a ditadura, como Márcia Amaral, Zé Mauro Gagliardi, Luiz Eduardo Curti, Margarida Ramalho (filha do Dr. Horácio Ramalho), Reynaldinho Morano (filho do grande fotógrafo Reynaldo Morano) e tantos outros.

Em 1990, fui aprovado na Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie, em São Paulo, e tomei conhecimento da versão de que Chiquinho teria se matriculado na mesma Institutição, na década de 1970, e quis saber mais sobre nosso conterrâneo, mas não tinha a ideia de redigir uma obra literária, apenas um artigo, que foi publicado no extinto Nosso Jornal.

O Defensor: É seu primeiro livro, nos fale desse trabalho.

Luisinho: Dias depois da publicação do artigo, recebi um telefonema do Dr. Benedito Nestor Penteado (já falecido), que era sogro da minha amiga Ana Salvagni e tio de Chiquinho, me agradecendo, emocionado, por ter escrito sobre seu sobrinho, e acabou me contando várias histórias que não constavam das versões oficiais.

Quanto mais me informava sobre o Chiquinho, mais me interessava por sua trajetória, passei a pesquisar documentos e arquivos oficiais, artigos de jornais, conversei com familiares e amigos, consultei especialistas, advogados e ex-militantes da luta armada, uma pesquisa que durou mais de dez anos, até juntar uma vasta documentação, quando concluí que valeria a pena fazer o livro.

Luisinho Bassoli, escritor da biografia “Cadê aquele menino lindo?”

O Defensor: O livro não se restringe a uma obra biográfica, nos explique isso.

Luisinho: O ponto central é a biografia do Chiquinho, origem familiar, a infância e adolescência como estudante das escolas Amando de Castro Lima e Nove de Julho, os relatos de amigos e amigas, com o detalhe de que todos disseram que era um rapaz muito inteligente e muito bonito, daí o título do livro.

Porém, tentei utilizar uma linguagem simples para contextualizar aquela época, e a característica da juventude de Taquaritinga, repleta de destemidos garotos e garotas, ávidos por Liberdade.